Pesquisa Nexus/BTG revela que o presidente Lula está perdendo apoio entre os beneficiários do Bolsa Família, enquanto Flávio Bolsonaro registra forte crescimento nesse mesmo segmento, mostrando que nem as políticas assistencialistas seguram mais o eleitor diante da crise econômica
A mais recente pesquisa Nexus/BTG, divulgada na quarta-feira (15), traz um dado que deveria preocupar seriamente o Palácio do Planalto: Lula perdeu 10 pontos percentuais de intenção de voto entre os beneficiários do Bolsa Família em relação à pesquisa anterior. No mesmo período, Flávio Bolsonaro avançou 12 pontos nesse mesmo público. O crescimento dos votos brancos e nulos também chama atenção e reforça a sensação de desgaste.
Esse movimento não é aleatório. O eleitor de baixa renda, que durante anos foi a base mais fiel do petismo, começa a demonstrar cansaço com um governo que, apesar de manter programas assistencialistas, não consegue controlar a inflação de alimentos, o alto custo de vida e a perda do poder de compra. Para quem depende do Bolsa Família, a promessa de “melhorar a vida do povo” já não basta quando o dinheiro não chega mais no final do mês.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, aparece como uma alternativa viável para parte desse eleitorado. Seu crescimento entre os beneficiários do programa mostra que a narrativa de que o bolsonarismo é um fenômeno restrito às classes médias e altas está perdendo força. O eleitor mais pobre também está sensível à pauta econômica, à segurança e à crítica à gestão petista.
O dado mais relevante da pesquisa não é apenas a queda de Lula, mas o que ela representa: a estratégia de manter o eleitor refém de programas sociais está se esgotando. Quando a inflação corrói o benefício e o governo não apresenta respostas concretas para o dia a dia da população, o apoio natural começa a se fragmentar.
Lula ainda conta com uma base resistente, mas os números mostram que ela está encolhendo. Se o cenário econômico não melhorar nos próximos meses, a dificuldade de reeleição em 2026 pode se tornar muito maior do que o governo imagina. O Bolsa Família continua sendo um instrumento importante, mas, sozinho, já não é suficiente para garantir a vitória.






