Estudo aponta fatores além dos índices criminais e orienta políticas públicas
Brasília, 22 de março de 2026 — Apesar da queda contínua nos índices de criminalidade e de resultados históricos recentes, como o menor número de homicídios registrado em fevereiro deste ano, o Distrito Federal ainda enfrenta um desafio importante: a percepção de insegurança entre os moradores. Para enfrentar esse cenário, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) recebeu os relatórios finais do projeto Cidade + Segura.
Desenvolvida ao longo de dois anos, a iniciativa contou com a parceria de instituições como a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal, a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos e a Universidade de Brasília, reunindo diagnósticos, pesquisas de campo e soluções tecnológicas para compreender o chamado “medo do crime”. O objetivo foi identificar por que a população ainda se sente insegura, mesmo diante da redução dos indicadores criminais.
Segundo o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, o desafio vai além das estatísticas. Ele afirma que é fundamental que a população se sinta segura no cotidiano, e que o projeto contribui para a formulação de políticas públicas mais precisas, baseadas em evidências.
Ao todo, foram produzidos quatro relatórios principais, incluindo um diagnóstico distrital sobre a percepção de insegurança, além de estudos específicos sobre o Setor Comercial Sul e o sistema de transporte coletivo. O material também apresenta recomendações práticas para intervenções urbanas e ações integradas.
Entre os fatores que influenciam a sensação de insegurança estão problemas como iluminação inadequada, infraestrutura precária, desordem urbana e experiências negativas vividas no dia a dia. A pesquisa também destaca a importância da presença institucional e da confiança nas autoridades.
O projeto utilizou conceitos como o Crime Prevention Through Environmental Design, que defende o planejamento urbano como ferramenta para reduzir riscos e fortalecer a segurança. A proposta inclui melhorias no ambiente urbano, como iluminação, limpeza e organização dos espaços públicos.
Coordenado pelo professor Arthur Trindade Maranhão Costa, o estudo também prevê novas coletas de dados no segundo semestre de 2026, o que permitirá avaliar os impactos das ações implementadas.
Além disso, a iniciativa resultou no desenvolvimento de uma ferramenta tecnológica capaz de identificar problemas urbanos que afetam diretamente a sensação de segurança, como acúmulo de lixo e falhas na iluminação, permitindo respostas mais rápidas do poder público.
A expectativa do governo é que os dados levantados contribuam para políticas públicas mais eficazes, voltadas não apenas à redução da criminalidade, mas também à melhoria da qualidade de vida da população.





