Entre janeiro e junho, mais de 2,4 mil animais passaram por reabilitação e foram soltos em seus habitats
Brasília, 14 de julho de 2025 – O trabalho de resgate, reabilitação e soltura de animais silvestres no Distrito Federal alcançou resultados expressivos no primeiro semestre deste ano. Dos 3.806 animais acolhidos pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), vinculado ao Ibama, 2.493 foram reabilitados e devolvidos à natureza, o equivalente a mais de 65% do total.
A atuação é feita de forma integrada entre o Cetas, o Hospital e Centro de Reabilitação da Fauna Silvestre (Hfaus), da Secretaria do Meio Ambiente do DF, e o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA). Os animais chegam por diferentes vias: resgates diretos, apreensões ou entregas voluntárias, podendo ser levados ao Cetas ou ao Hfaus, conforme a necessidade clínica.
O coordenador do Hfaus, Thiago Marques de Lima, explica que, em caso de emergência, os animais recebem atendimento imediato, com exames, observação clínica e, posteriormente, são alocados em viveiros de readaptação. “Cada vida salva é uma conquista. Mesmo os que não podem ser devolvidos à natureza têm destinos planejados, como zoológicos ou centros de conservação”, afirma.
Somente no primeiro semestre deste ano, o Hfaus atendeu 787 animais silvestres, quase o dobro dos 392 atendimentos registrados no mesmo período de 2024. O hospital, considerado o primeiro público do Brasil voltado à fauna silvestre, conta com 26 profissionais especializados em reabilitação animal.
Já o Cetas atua como porta de entrada para a maioria dos casos, recebendo animais resgatados, apreendidos ou entregues voluntariamente. A técnica ambiental do Ibama, Clara Costa, destaca que a entrega voluntária isenta os tutores de penalidades legais. “É uma forma de combater o cativeiro ilegal e garantir o bem-estar dos animais”, afirma.
Além da triagem, o Cetas realiza a reabilitação comportamental e física dos animais. “Nosso objetivo é preparar cada indivíduo para o ambiente selvagem, respeitando suas características e ciclos naturais”, explica o chefe da unidade, Júlio Montanha. Casos emblemáticos incluem duas onças-pardas resgatadas ainda filhotes, que estão sendo preparadas em recintos especiais para futura reintrodução à natureza.
Segundo Montanha, o trabalho tem impacto direto no equilíbrio ecológico: “Esses animais desempenham papéis fundamentais, como controle de pragas, dispersão de sementes e manutenção dos ciclos ambientais. Nossa missão é garantir que eles possam cumprir esse papel com segurança”.





