Antigo Lixão da Estrutural deu lugar ao maior complexo de reciclagem da América Latina, inaugurado em 2020
Brasília, 20 de outubro de 2024 – O antigo Lixão da Estrutural, que por muitos anos foi sinônimo de trabalho difícil e inseguro para catadores, é agora uma lembrança distante para aqueles que operam no Complexo Integrado de Reciclagem do Distrito Federal (CIR-DF). Localizado na Cidade Estrutural, próximo ao desativado aterro sanitário, o CIR-DF é atualmente o maior complexo de reciclagem da América Latina e um dos mais avançados do Brasil.
Inaugurado em dezembro de 2020 pelo Governo do Distrito Federal (GDF), o complexo ocupa uma área de 80 mil m² e possui capacidade para processar até 5 mil toneladas de resíduos mensalmente. O projeto contou com um investimento de R$ 21 milhões e é administrado de forma conjunta entre o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), a Secretaria de Meio Ambiente (Sema-DF), a Central das Cooperativas de Materiais Recicláveis do DF (Centcoop) e associações de catadores.
Desde sua inauguração, o CIR-DF já reciclou mais de 38,2 mil toneladas de resíduos. “Esse equipamento público tem permitido reintroduzir toneladas de material reciclável ao setor produtivo mensalmente, retornando para as indústrias e fechando o ciclo sustentável de produção”, afirma Glauco Amorim, chefe da Assessoria de Políticas Públicas da Sema-DF.

O CIR-DF funciona com duas Centrais de Triagem e Reciclagem (CTRs) e uma Central de Comercialização (CC), onde o material reciclável é separado, classificado e preparado para a comercialização. Amorim destaca o uso de tecnologias de ponta, que foram adquiridas recentemente com um investimento adicional de R$ 4 milhões, aumentando a eficiência do processo e o valor dos materiais reciclados em até oito vezes.
O encerramento do Lixão da Estrutural em 2018 trouxe melhorias tanto para o meio ambiente quanto para os catadores, que agora integram o processo formal de reciclagem por meio de cooperativas. Francisco Mendes, da Diretoria Técnica do SLU, afirma que a formalização desses trabalhadores trouxe direitos como o INSS, o que já garantiu a aposentadoria de diversos catadores.
Thiago Mendes, ex-catador e atual diretor financeiro da Associação Ambiente, relata que as condições de trabalho no CIR são muito melhores em comparação ao lixão. “Hoje temos equipamentos de proteção e condições dignas, algo que não existia antes”, relata Mendes.
O Distrito Federal conta hoje com 1.000 catadores organizados em 31 cooperativas, sendo que 375 atuam diretamente no CIR-DF, onde 70% são mulheres. Somente no primeiro semestre de 2024, a comercialização dos recicláveis gerou uma receita de R$ 3,4 milhões, beneficiando os catadores e estimulando a economia sustentável.





