Líder de Lula pode ter mentido sobre origem do dinheiro apreendido pela PF

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Senador Jaques Wagner. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Transparência Internacional e outras entidades consideram pouco plausível que valores em espécie e euros encontrados em endereços do senador sejam apenas diárias acumuladas desde 2019, apontando discrepâncias nos montantes e dificuldades de rastreabilidade

Da Redação

A explicação dada pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) sobre a origem do dinheiro apreendido pela Polícia Federal durante a nona fase da Operação Compliance Zero está sendo questionada por especialistas em transparência e combate à corrupção.

Durante entrevista à TV BandNews, o líder do governo no Senado afirmou que o valor encontrado em suas residências seria proveniente de diárias recebidas por viagens ao exterior desde 2019, além de compras de dólares e euros feitas no Banco do Brasil. Segundo ele, recebeu aproximadamente US$ 70 mil em diárias ao longo do mandato.

No entanto, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que o total de diárias em dólar e euro recebidas por Wagner desde 2019 não coincide exatamente com os valores apreendidos. A Polícia Federal encontrou US$ 65.795 e 39 mil euros nos endereços do senador, enquanto os registros do Senado apontam valores próximos, mas com diferenças que chamaram atenção.

Especialistas consultados consideram a versão apresentada pelo parlamentar pouco convincente. O presidente do Instituto Não Aceito Corrupção (Inac), Roberto Livianu, afirmou que é “totalmente desarrazoado” atribuir todo o montante às diárias e questionou se o valor foi declarado no Imposto de Renda. Segundo ele, a diária tem caráter indenizatório e, caso não tenha sido utilizada, o correto seria a devolução ao erário.

Guilherme France, gerente do Centro de Conhecimento Anticorrupção da Transparência Internacional – Brasil, destacou que grandes quantidades de dinheiro em espécie costumam chamar atenção em investigações de corrupção por sua difícil rastreabilidade. Já Juliana Sakai, diretora executiva da Transparência Brasil, considerou a explicação pouco razoável, sugerindo que ou o Senado está pagando valores excessivos ou as despesas das viagens estariam sendo custeadas por outras fontes.

 

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