Tratamento nas UBSs combina apoio psicológico, medicamentos e atividades coletivas
Brasília, 29 de maio de 2026 — Moradores do Distrito Federal têm encontrado nos grupos de combate ao tabagismo das unidades básicas de saúde (UBSs) apoio para abandonar o cigarro e melhorar a qualidade de vida. Com acompanhamento multiprofissional, pacientes relatam mudanças na saúde, no convívio familiar e até na situação financeira após deixarem o vício.
A diarista Keila Maria de Abreu, de 40 anos, é uma das participantes que conseguiram parar de fumar com o suporte da UBS 2 de Taguatinga. Há oito meses sem cigarro, ela conta que conseguiu reorganizar a rotina e economizar dinheiro. “Antes, um dia inteiro de trabalho era destinado ao cigarro. Hoje consigo investir em casa e aproveitar mais momentos com minha filha”, relata.
A mudança também foi percebida pela filha Ana Luiza de Abreu, de 15 anos, que destacou melhorias no ambiente familiar e na convivência dentro de casa. Segundo ela, além da mãe estar mais tranquila, o cheiro de cigarro deixou de fazer parte do cotidiano.
Na UBS 3 de São Sebastião, a publicitária Hélida Wonstein, de 40 anos, iniciou recentemente o tratamento motivada pelos filhos. Ela afirma que já conseguiu reduzir os cigarros ligados aos hábitos diários e segue determinada a abandonar o vício definitivamente.
Os grupos de tratamento contra o tabagismo da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) atuam com equipes multidisciplinares, reunindo profissionais de áreas como farmácia, psicologia e serviço social. As estratégias incluem medicamentos para reposição de nicotina, controle da ansiedade, rodas de conversa e dinâmicas voltadas à conscientização sobre os impactos do cigarro.
Na UBS 3 de São Sebastião, uma das atividades utilizadas é a chamada “cápsula do tempo”, em que os participantes registram expectativas antes do início do tratamento e revisitam os relatos semanas depois para acompanhar a evolução.
Segundo o coordenador do Programa de Controle do Tabagismo no DF, Saulo Viana, o processo de abandono do cigarro varia de pessoa para pessoa e pode exigir diferentes tentativas. De acordo com ele, o índice de sucesso dos tratamentos estruturados pode variar entre 15% e 85%.
Os grupos atendem pessoas de diferentes idades e perfis. Aos 69 anos, o aposentado Antônio Eustáquio Russo decidiu parar de fumar após descobrir um princípio de enfisema pulmonar. Ele começou a fumar aos 13 anos e afirma que encontrou nas conversas com profissionais e pacientes o incentivo necessário para abandonar o hábito.
Entre os mais jovens, o estudante Mateus Mota, de 20 anos, também busca abandonar o cigarro. Após iniciar o consumo pelo vape aos 17 anos, ele passou a frequentar o grupo antitabagismo da UBS 3 de São Sebastião e pretende chegar aos 21 anos sem fumar. O jovem afirma que o tratamento o ajudou a enxergar os impactos do vício na própria saúde e nos planos profissionais.





