Emprego transformador: egressos do sistema prisional em busca de novas oportunidades

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(Foto: Lúcio Bernardo Jr)

Trabalho e ressocialização: histórias de transformação

Da Redação

Brasília, 02 de dezembro de 2023 – Esdras Pereira Matos, 31 anos, transformou completamente sua vida ao encontrar sua primeira oportunidade de emprego no regime semiaberto. Durante quatro anos, atuou como serviços gerais na Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap). Hoje, se destaca no atendimento ao público em um restaurante de uma rede de churrascarias e almeja crescimento profissional.

“Foi essa oportunidade que me trouxe aqui. Me fez retomar os estudos e abrir minha mente para novas possibilidades. Mostrou que não preciso do crime para viver. Posso trabalhar, estudar e buscar coisas melhores”, afirma. Esdras destaca o papel crucial das ações de ressocialização, capacitando e inserindo os detentos no mercado de trabalho durante o cumprimento das penas.

“Ao sair para trabalhar, a mente relaxa, conhecemos novas pessoas e vemos melhorias em nossas vidas. Essa experiência foi fundamental para a mudança. Foi o começo de tudo de bom que está acontecendo na minha vida. A mudança só acontece com apoio. Precisamos dessas oportunidades para mudar”, avalia.

Esdras conquistou seu cargo na Novacap por meio da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap), que possui 90 contratos ativos com sentenciados, sendo 81 com órgãos do Governo do Distrito Federal (GDF) e o restante com empresas privadas. São 2.772 reeducandos inseridos no mercado de trabalho, com direito a redução de pena, bolsa ressocialização de 3/4 do salário mínimo, além de auxílio transporte e alimentação.

“A maioria das vezes, essa é a primeira oportunidade para o reeducando. Muitos nunca tiveram experiência de trabalho. O emprego é fundamental para a reintegração social”, afirma a diretora-executiva da Funap, Deuselita Martins. Ela destaca que menos de 5% dos reeducandos retornam ao sistema prisional, enquanto a média para quem não trabalha durante o encarceramento é de 70%.

Bruno Moura, 33 anos, encaminhado há dois meses para a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) no regime semiaberto, compartilha sua história. “Fiquei recluso por 13 anos e agora estou buscando uma melhora. Esse emprego é minha chance de mostrar que todo recluso pode mudar”, diz.

Ele teve passagens e retornos à prisão. Em 2019, sem perspectiva, voltou à criminalidade. “Não tive oportunidades e voltei ao crime, que era o que eu sabia fazer. Geralmente, a pessoa sai da cadeia sem chance de emprego, o que é ruim. Dessa vez, tive apoio. Estou trabalhando e vou começar a estudar no próximo ano. Quero seguir adiante para dar um futuro melhor à minha família”, revela.

Os sentenciados passam por capacitação profissional antes de assumirem os cargos, tanto por meio da Funap quanto por instituições parceiras do GDF. O Instituto Recomeçar, funcionando na Novacap desde dezembro de 2021, cadastra reeducandos da Funap, prepara-os com aulas que abrangem desde criação de currículos até oratória, e auxilia no encaminhamento para cursos profissionalizantes ofertados pelo GDF.

Atualmente, o Instituto Recomeçar tem mil pessoas cadastradas. “O papel do governo é essencial como incentivo. É possível recomeçar e as oportunidades de emprego fornecidas pelos órgãos públicos fazem parte desse processo”, afirma Thaise Miguel, coordenadora regional do Instituto Recomeçar.

Em outubro, o governo lançou o programa Capacita Funap, arcando com todos os custos do reeducando por três meses em uma empresa privada. Ao final, a empresa pode contratá-los, iniciando um novo processo de aprendizagem e ressocialização. Caso não efetivem nenhum dos participantes, a empresa é suspensa do programa por um ano. Atualmente, 35 sentenciados participam dessa iniciativa.

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