Capital federal destaca-se em transplantes de rim, fígado, coração e medula óssea, liderando em 2023
Brasília, 30 de maio de 2024 – A rede pública de saúde do Distrito Federal (DF) liderou em 2023 a realização de transplantes de rim, fígado, coração e medula óssea, considerando a taxa de transplantes por milhão de habitantes. Com 121 transplantes de fígado realizados no último ano, a taxa de transplantes de fígado no DF atingiu 43,3 por milhão de habitantes, quase quatro vezes a média nacional de 11,6.

O Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável pela coordenação e execução dos transplantes de órgãos no Brasil. O processo inclui várias etapas, desde a identificação de potenciais doadores até o acompanhamento pós-transplante. Normalmente, os doadores são pacientes com morte encefálica confirmada em UTIs. Após a confirmação, é necessário obter o consentimento da família para a doação de órgãos.
A Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos do DF (CNCDO/DF) coordena esse processo, onde profissionais abordam as famílias para discutir a doação. Com o consentimento, uma equipe médica avalia os órgãos do doador para garantir que estão aptos para transplante. Os órgãos viáveis são então captados e preservados adequadamente para o transporte.
A distribuição dos órgãos segue critérios estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), priorizando compatibilidade sanguínea e tecidual, gravidade da doença do receptor, tempo em lista de espera e urgência do caso. Quando um órgão é designado para um paciente, este é convocado imediatamente para o hospital onde será feito o transplante. Hospitais como o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF) estão preparados para realizar esses procedimentos.
Quem necessita de um transplante é identificado por qualquer ambulatório, que, após consultas e exames, encaminha a solicitação para a Central Estadual de Transplante. Após ser inscrito na lista de espera, o paciente aguarda até ser chamado para a cirurgia e conta com acompanhamento pós-transplante, recebendo cuidados intensivos.
A equipe médica monitora a resposta do corpo ao novo órgão e ajusta a medicação para prevenir a rejeição, um acompanhamento crucial para o sucesso a longo prazo do transplante. A diretora da Central Estadual de Transplantes da Secretaria de Saúde do DF (SES), Gabriella Christmann, informou que atualmente 25 pessoas aguardam transplante de fígado, número que varia constantemente.
“O Brasil tem o maior serviço público de transplante do mundo, e o acesso gratuito permite que não haja discriminação por conta de poder aquisitivo. É um acesso integral pelo SUS, desde o pré até o pós transplante, sem precisar de um serviço complementar privado”, destaca Gabriella.
Ela frisa que o transplante só ocorre mediante a doação, e a conscientização é vital. “Precisamos que as pessoas se sensibilizem, pois dependemos 100% da população para dar uma nova chance de vida aos pacientes”, observa. Para ser doador, é importante que a pessoa informe essa decisão aos familiares, visto que a doação só é permitida com autorização de um familiar de até segundo grau.
Doenças crônicas como diabetes, infecções ou uso de drogas injetáveis podem comprometer o órgão que seria doado, inviabilizando o transplante. A entrevista familiar realizada após a permissão do doador é essencial, permitindo à equipe avaliar os riscos e garantir a segurança dos receptores e dos profissionais de saúde.





