Mais de uma tonelada do material foi parar no lixo reciclável em menos de dois anos
Brasília, 9 de novembro de 2025 — O descarte incorreto de canetas emagrecedoras usadas tem preocupado o Governo do Distrito Federal (GDF) e colocado em risco a saúde de garis e cooperados que lidam diariamente com o lixo. De acordo com o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), 1,3 tonelada do material foi recolhida de forma inadequada nos últimos 21 meses, misturada a resíduos recicláveis.
Somente em 2024, foram 781 quilos de canetas descartadas no lixo comum, e até setembro de 2025, já foram recolhidos meio tonelada — o equivalente a 36 mil unidades aplicadas com agulhas. Classificadas pela Anvisa como resíduos perfurocortantes, essas canetas devem ser entregues em unidades básicas de saúde (UBSs) ou farmácias, para posterior incineração conforme normas sanitárias.
A preocupação é justificada: entre janeiro e agosto de 2025, o SLU registrou 98 acidentes com materiais perfurocortantes, número que já representa 77% de todos os casos de 2024. “Os equipamentos de proteção ajudam, mas não evitam tudo. Quando há um corte, o trabalhador precisa fazer tratamento preventivo contra HIV e hepatites. É um processo desgastante”, explica a diretora técnica do SLU, Andreia Almeida.
Um desses casos envolveu a cooperada Geane Francisca Lima, 42 anos, ferida por uma caneta emagrecedora durante o trabalho em uma usina de reciclagem. “Doeu muito, sangrou na hora. Fiquei com medo, porque a gente nunca sabe o que pode ter naquela agulha”, contou. Mesmo com recomendação médica de afastamento, ela retornou no dia seguinte. “Se faltar, não ganho. A população precisa pensar no outro antes de jogar esse tipo de coisa no lixo”, alertou.
O problema tem se tornado comum, segundo o presidente de uma cooperativa parceira do SLU, Vantuil Costa. “Essas canetas chegam quase todo dia. Mesmo com luvas reforçadas, o risco é alto. Pedimos que as pessoas levem esse material a farmácias ou UBSs”, reforça.
A diretora do SLU lembra que a solução é simples. “As canetas e agulhas devem ser colocadas em caixas rígidas e entregues em pontos de coleta. Um gesto pequeno que evita acidentes graves”, afirma Andreia Almeida.
Além da conscientização, o DF Legal pode aplicar multas a quem descartar resíduos perfurocortantes de forma irregular. Condomínios já foram autuados e, após correções, receberam selo verde de reconhecimento ambiental. O SLU também mantém mobilizadores ambientais nas regiões administrativas e oferece o aplicativo SLU Coleta DF, com orientações sobre descarte correto.






