Na política, poucos são os que tem virtudes e muitas vezes o dinheiro dita os “acordos importantes”, ao invés de valores democráticos e as prioridades da população
No ano passado, o Congresso aumentou o fundo eleitoral de R$ 1,7 bilhão para R$ 4,9 bilhões, um aumento de 288% nos gastos que os partidos podem fazer para eleger seus candidatos com dinheiro público. Diferentemente do que ocorre com o fundo partidário, o fundo eleitoral não pertence ao partido como patrimônio.
Grandes partidos como o União Brasil podem terminar lançando candidatos apenas para criar um guarda-chuva de gastos para outras candidatos. Assim muitos partidos começam a lançar candidatos sem chances.
Até bem pouco tempo o senador Reguffe estava filiado no Podemos, antes de desfilar por várias legendas. No Podemos, tinha garantida a sua pré-candidatura a governador do Distrito Federal. Mas não era o bastante. Faltava algo mais precioso. A sigla é hoje um partido médio, sem tanto dinheiro assim. Se fosse uma pessoa, estaria enquadrado na classe média.
O status de não estar entre os mais ricos talvez tenha sido fundamental para Reguffe procurar outra legenda, mais robusta. O senador se filiou ao União Brasil, um quase bilionário da política brasileira. O conforto proporcionado pelos R$ 782,5 milhões para a campanha eleitoral faz de Reguffe um candidato de alta classe, um perfeito representante do Lago Sul.
Com 15,77% do total do fundo, o União Brasil, maior partido do Brasil, criado em 2021 a partir da fusão do Democratas (DEM) com o Partido Social Liberal (PSL), terá a maior cota eleitoral do país. Dinheiro do povo para ser gasto em campanha. O voto contrário de Reguffe ao fundo no Senado é o discurso que já está preparado para qualquer crítica que possa a vir ser feita. Inclusive esta humilde análise política.
Seus novos amigos, a deputada Paula Belmonte o advogado milionário Luiz Felipe Belmonte também estão a altura do novo partido. Fazem parte da elite brasiliense. O casal fará questão de gastar tubos de dinheiro para a campanha, mesmo que seja dos impostos pagos pelo povo.
O próprio partido de Paula Belmonte, o Cidadania, fez questão de soltar uma nota afirmando que ela estará na chapa majoritária com Reguffe. Seria a chapa Moet Chandon ou a “Aliança Ostentação”. Agora o desafio é combinar com o eleitor.
Tanto dinheiro assim numa campanha eleitoral pode não ser tão bom como parece. O povo mais humilde e a classe média do Distrito Federal devem ficar constrangidos e achar isso uma tapa na cara da sociedade. Mas, ao que parece, a chapa Ostentação não estaria tão interessada nos votos do povo. O Fundo Eleitoral é mais prazeroso e atende as necessidades do comando de campanha. A Moet Chandon não estaria disposta a se misturar com o Sol Nascente, o Por do Sol ou o Itapoã. Mesmo que talvez nem saibam chegar lá.
Os partidos que fazem parte desse clube VIP, são cinco ao todo, deveriam ficar docemente constrangidos a lançar candidatos a cargos mesmo sem chances, apenas para gastar o
dinheiro do fundo. Juntando todas as legenda, seria mais de R$ 1 bilhão que estaria envolvido a campanha dos candidatos do União Brasil.
Na mais recente pesquisa divulgada para a disputa do GDF, o senador José Antônio Reguffe (União Brasil), aparece com 14,8%, 20 pontos percentuais do governador Ibaneis Rocha, com 34%. Os números são da Pesquisa Metrópoles/Ideia, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número DF-04171/2022.
Reguffe não é a aposta do União Brasil. O seu companheiro de partido, ACM Neto, é a prioridade da legenda. Elegê-lo ao Governo da Bahia é a prioridade. O Distrito Federal seria mais uma figuração para a candidatura de Luciano Bivar à Presidência da República, para incrementar os gastos do fundão.
Os novos sócios de Reguffe em seu partido tem nomes como o do próprio Bivar, ACM Neto, Mendonça Filho (ex-ministro de Temer), Luiz Henrique Mandetta (ex-ministro de Bolsonaro) entre muitos outros que formam um mistura de tudo o que representa a velha política.
“Nos últimos meses chegamos a acordos importantes”, comemorou Paula Belmonte em nota divulgada para a imprensa.





