Ex-integrantes acusam uso de estrutura federal para produção de conteúdo eleitoral, com mensagens internas detalhando tarefas diárias e aquisição de equipamentos para simular presença digital do pré-candidato
Da Redação
O portal Diário do Poder publicou, nesta terça-feira (12), reportagem que aponta acusações contra Ricardo Cappelli (PSB), presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pré-candidato ao governo do Distrito Federal em 2026, por suposto uso de uma estrutura paralela de comunicação em fins eleitorais. A denúncia, baseada em relatos de ex-integrantes da equipe e mensagens internas obtidas pela reportagem, descreve um grupo comandado pelo gerente de marketing da ABDI, Bruno Trezena, operando em uma sala no Edifício Ariston, no Setor Comercial Sul de Brasília.
O Ministério Público Federal (MPF) e o Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF) foram notificados, e a denúncia pode resultar em investigação por abuso de poder econômico e uso indevido de bens públicos, conforme a Lei das Eleições (Lei 9.504/1997). Cappelli, indicado ao cargo na ABDI em julho de 2023 é ligado politifcamente ao ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB) e ao ministro do STF, Flávio Dino (ex-PSB).
De acordo com os documentos, o local funcionaria como um “bunker político” dedicado à produção de conteúdo, interação com eleitores nas redes sociais e respostas a adversários, prática que pode caracterizar campanha antecipada e uso irregular de recursos públicos.
Mensagens trocadas entre os membros, atribuídas à assistente Ana Cardoso, estabelecem metas diárias como responder 70 comentários e 10 publicações, enviar 60 mensagens e realizar 30 ligações via WhatsApp, além de manter “padrão de respostas humanizado” com uso controlado de emojis e correção gramatical rigorosa.
Uma das orientações destacadas alerta: “O Cappelli é jornalista, não podemos ter erros de português.” As denúncias incluem a aquisição recente de cinco celulares e cinco notebooks para uso exclusivo do grupo, com o objetivo de simular a presença digital do pré-candidato, incluindo distribuição de vídeos via grupos de WhatsApp e comentários assinados como se fossem dele.
Ex-integrantes relataram demissões sem aviso, ausência de registro em carteira e atrasos em pagamentos, com um clima de “medo e retaliação”, incluindo relatos de que “Cappelli é vingativo” e que os envolvidos temem perseguição.
A reportagem do jornalista Mael Vale, do Diário do Poder, tentou contato com Cappelli e Trezena, mas não obteve resposta até o fechamento da edição.





