Campanha reforça importância do diagnóstico precoce e dos exames de rotina para aumentar as chances de cura
Setembro é o mês dedicado à conscientização sobre os cânceres ginecológicos. A campanha Setembro em Flor busca ampliar a informação, incentivar a prevenção e destacar a relevância do diagnóstico precoce de doenças ginecológicas que, em estágios iniciais, costumam ser silenciosas, mas que podem ter altas taxas de cura quando detectadas a tempo.
De acordo com o coordenador da Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Anchieta Taguatinga e Ceilândia, Evandro Oliveira da Silva, a maioria dos cânceres ginecológicos não apresenta sintomas em fases iniciais, o que torna o rastreamento e a prevenção essencial.
“Exames como a mamografia, a citologia oncótica — conhecida como Papanicolau — e a ultrassonografia transvaginal são fundamentais no diagnóstico precoce. A avaliação ginecológica anual pode fazer toda a diferença no rastreamento e no tratamento dessas doenças, que em muitos casos começam de forma silenciosa”, destaca.
A campanha Setembro em Flor é promovida pelo Grupo EVA – Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos, entidade que atua na educação médica, no apoio à pesquisa e na conscientização da sociedade sobre a saúde ginecológica. O Hospital Anchieta é parceiro da iniciativa, reforçando seu compromisso em levar informação de qualidade e incentivar práticas preventivas entre as mulheres.
A iniciativa dá ênfase aos cânceres ginecológicos: colo do útero, ovário, endométrio, vulva e vagina. Entre os principais sinais de alerta estão sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a menopausa, corrimento com odor alterado, dor pélvica persistente, aumento do volume abdominal, sangramento ou dor durante a relação sexual, além de lesões ou coceira contínua na vulva.
Segundo o coordenador da Oncologia do Hospital Anchieta de Ceilândia, Marcelo Uchôa, identificar a doença precocemente pode representar a diferença entre um tratamento menos agressivo e maiores chances de cura ou um enfrentamento mais difícil. “Quando descoberto em estágios iniciais, o câncer de colo do útero, por exemplo, pode ter taxas de cura próximas a 95%. Já nos estágios avançados, as chances caem drasticamente e o tratamento tende a ser mais agressivo”, explica.
A faixa etária de atenção varia conforme o tipo da doença. O câncer de colo do útero é mais comum entre 25 e 45 anos, os tumores de ovário pode acontecer em qualquer faixa etária e o câncer endométrio têm maior incidência após a menopausa. Casos de câncer de vulva e vagina, por sua vez, afetam principalmente mulheres idosas.
Entre os fatores de risco, destacam-se a infecção persistente pelo HPV, a obesidade, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a exposição prolongada a hormônios sem acompanhamento médico e o histórico familiar de câncer ginecológico.
A vacinação contra o HPV é considerada a medida mais eficaz de prevenção primária e está disponível gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos.
Além dos exames regulares, manter hábitos saudáveis pode reduzir significativamente os riscos. Alimentação equilibrada, prática de atividade física, não fumar e evitar bebidas alcoólicas em excesso são condutas que, além de melhorar a qualidade de vida, ajudam na prevenção do câncer.
O Setembro em Flor é, portanto, um convite à reflexão e ao autocuidado. Cuidar da saúde ginecológica não significa apenas prevenir doenças, mas também garantir mais qualidade de vida e bem-estar. Informação, prevenção e atenção aos sinais do corpo são passos decisivos para reduzir o impacto dos cânceres ginecológicos na vida das mulheres.





