Terceira rodada testou cenário após impugnação; Grass iria a 14,2% e brancos, nulos e sem resposta somam 30,9%
Da Redação
A terceira rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política testou um cenário em que José Roberto Arruda (PSD) não participe da disputa ao Governo do Distrito Federal. Sem o ex-governador, Celina Leão (PP) registra 38,9% das intenções de voto no cenário estimulado, quase sete pontos a mais do que os 32% obtidos quando Arruda está na disputa, situação em que ele aparece com 23,3%.
Os demais votos se redistribuem. Leandro Grass (PT) passa de 12,5% para 14,2%; Paula Belmonte (PSDB) de 3,5% para 7%; Ricardo Cappelli (PSB) de 1,7% para 3,3%; e Kiko Caputo (Novo) de 2,3% para 2,7%. Com exceção da variação de Celina, as alterações ficam dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. O intervalo de confiança é de 95%.

A pesquisa está registrada no TSE sob o número DF-04936/2026. Foi a campo entre 29 e 31 de agosto em 31 das 33 regiões administrativas, com 1.121 entrevistas presenciais a eleitores com 16 anos ou mais. A coleta ocorreu antes da decisão do TRE-DF que indeferiu o registro de Arruda. O ex-governador anunciou recurso ao TSE.
O CEO do instituto, Alexandre Garcia, afirmou que Celina seria a principal beneficiada pela ausência de Arruda. “A probabilidade de os votos do Arruda migrarem para a Celina é muito grande por compartilharem o campo político semelhante. Além do que, Arruda é um gestor já conhecido da população, bem como a Celina. Os outros não, os outros são apostas”, disse. Segundo ele, o eleitor tende a priorizar o perfil de gestor no Executivo.
Garcia também afirmou que resultados de eleições anteriores indicam um teto de cerca de 30% para o campo da esquerda no DF.Considerando apenas os votos válidos, excluídos brancos, nulos e quem não manifestou preferência, Celina alcança 56,3% nesse cenário. O advogado eleitoral Luiz Gustavo Cunha fez ressalva: se forem excluídos somente brancos e nulos e mantidos os indecisos, o percentual cai para cerca de 47,1%. “O dado mais interessante politicamente não é afirmar desde já que haveria vitória no primeiro turno. É possível perceber que a ausência de Arruda reorganiza radicalmente a eleição e aproxima Celina de uma situação potencialmente majoritária”, avaliou.
O cientista político André César, da Hold Assessoria Legislativa, afirmou que a ausência de Arruda fortalece Celina. “Ela seria candidata natural a vencer sem o Arruda. O Arruda seria o nome para batê-la.” Cunha ponderou que pesquisa é fotografia, não prognóstico, e destacou os 30,9% que somam brancos, nulos e quem não sabe ou não respondeu.
Após o indeferimento no TRE-DF, Paula Belmonte e Kiko Caputo criticaram a duração da inelegibilidade e defenderam o direito de escolha do eleitor. Celina Leão e Leandro Grass não comentaram a decisão. Ricardo Cappelli não respondeu até o fechamento da edição original.


