Estudo apoiado pela FAPDF comprova eficácia da tecnologia em ambiente clínico real
Brasília, 18 de janeiro de 2026 – Um estudo financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) conquistou projeção internacional ao comprovar, em condições clínicas reais, a eficiência de uma fita antimicrobiana à base de cobre no controle da contaminação de superfícies hospitalares. Os resultados foram divulgados em dezembro de 2025 na revista científica internacional Antibiotics, referência mundial nas áreas de controle de infecções e resistência microbiana.
A pesquisa, intitulada Atividade antimicrobiana e caracterização de uma fita polimérica complexada com cobre validada para aplicações em desinfecção de superfícies, é liderada pela biomédica Andreanne Vasconcelos, doutora em Ciências Médicas pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora da University of Lincoln, no Reino Unido. Ela também é CEO da People&Science Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, empresa sediada na UnB, e possui trajetória acadêmica voltada à prospecção de substâncias bioativas e ao desenvolvimento de tecnologias aplicadas à saúde, especialmente no enfrentamento de doenças infecciosas e inflamatórias. Em 2025, Andreanne foi vencedora do Prêmio FAPDF na categoria Startup Inovadora — Não Acelerada.
O apoio da FAPDF foi decisivo para a validação da tecnologia tanto em laboratório quanto em ambiente hospitalar real, por meio do edital Demanda Espontânea, assegurando rigor metodológico e infraestrutura adequada. O fomento também possibilitou a ampliação da cooperação internacional e a formação de recursos humanos, incluindo a realização de visita técnica da pesquisadora à University of Lincoln, viabilizada pelo edital FAPDF Participa.
Durante o estudo, a fita antimicrobiana foi aplicada em superfícies de alto contato, como torneiras, corrimãos, maçanetas e braços de cadeiras. Ao longo de 19 semanas de uso em um hospital universitário brasileiro, foi observada uma redução expressiva e contínua da carga microbiana. A iniciativa envolveu instituições do Brasil e do Reino Unido, reforçando a inserção da produção científica do Distrito Federal no cenário internacional.
Segundo Andreanne Vasconcelos, o apoio institucional foi determinante não apenas para a execução do projeto, mas também para o fortalecimento de sua carreira acadêmica. “Esse fomento ampliou minha formação, fortaleceu parcerias internacionais e reforçou meu compromisso em produzir ciência de impacto no Brasil”, afirma.
Com os resultados alcançados, a pesquisa avança para novas etapas, que incluem a ampliação dos testes em ambientes de grande circulação, como transporte público e instituições de ensino, além da busca pelo registro da tecnologia junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A equipe também pretende dialogar com o poder público para, futuramente, viabilizar a incorporação da solução ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Para o presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, o reconhecimento internacional do estudo evidencia a importância do investimento público em ciência. Segundo ele, a iniciativa demonstra a capacidade dos pesquisadores do Distrito Federal de atuar em redes globais, produzir conhecimento de alto nível e transformar pesquisa científica em soluções práticas, especialmente na área da saúde pública.
Apesar do aspecto simples, a fita antimicrobiana representa uma tecnologia avançada. Trata-se de um revestimento adesivo flexível no qual o cobre, conhecido por sua ação antimicrobiana natural, é incorporado a uma matriz polimérica. Essa estrutura permite a aplicação direta em superfícies já existentes, sem necessidade de intervenções estruturais.
De acordo com a coordenadora do estudo, o principal diferencial da solução está em sua ação contínua e passiva. Ao contrário dos métodos tradicionais, que dependem de limpezas frequentes e do uso constante de produtos químicos, a fita atua de forma permanente, eliminando microrganismos sempre que ocorre o contato com a superfície.
A validação em ambiente hospitalar brasileiro foi um dos pontos centrais da pesquisa, pois possibilitou avaliar o desempenho da tecnologia diante de variáveis como umidade, grande circulação de pessoas e recontaminação frequente. Os resultados indicaram eliminação quase total de bactérias de relevância para a saúde pública em testes controlados e redução sustentada da carga microbiana em condições clínicas reais.
O estudo integra uma rede internacional de colaboração científica, envolvendo instituições do Brasil, da Europa e pesquisadores de diferentes áreas. A parceria com a University of Lincoln e com o The Bridge ampliou o acesso a metodologias avançadas e equipamentos especializados, além de fortalecer o intercâmbio acadêmico entre Brasil e Reino Unido. A pesquisa também avaliou, em território brasileiro, uma tecnologia originalmente desenvolvida na França, conferindo caráter global ao trabalho ao testar sua eficácia em diferentes contextos geográficos e climáticos.





