* Por Gabriela Gazola Brandão
Paisagens não são cenários a serem observados. Tampouco meros suportes físicos inertes sobre os quais existimos. Paisagens são vivas, têm cheiro, som, tato, gosto, emoção, memória – e nos afetam muito mais do que costumamos supor.
Somos seres situados, ou seja, existimos em algum lugar: nossa existência física é, necessariamente, atrelada a um espaço geográfico, a uma paisagem. Deste fato decorrem diversas implicações, uma vez que somos influenciados pelos lugares que habitamos, pelas paisagens que habitamos. Não se trata de determinismo com causa e efeito diretos, gerais e previstos, uma vez que cada ser é único, apresentando particularidades de comportamentos e fisiologia que diversificam as respostas às experiências
Ou ainda, mais perto de nós, considere as seguintes paisagens: urbanas metropolitanas, litorâneas, rurais de montanha. Quais as dinâmicas do cotidiano das pessoas que habitam cada uma delas? Qual a natureza das possibilidades para ações triviais como deslocar-se todos os dias para o trabalho ou para comprar algo? Onde e como se dão os encontros e os desencontros? Onde e como acontece o relacionar-se com o espaço vivido, com a paisagem, com o outro – as relações sociais? Que elementos visuais, olfativos, sonoros, táteis, afetivos, fazem parte do dia a dia dessas pessoas? De que são permeadas suas
Assim, nossas ações, comportamentos, modos de nos relacionarmos, hábitos, afetos e, portanto, nossa identidade, são afetados e construídos a partir do que nos oferece a paisagem que habitamos. Ampliando para um grupo social que habita o mesmo cenário, temos elementos que compõem a cultura local, a identidade de grupos sociais, o senso de pertencimento.
Proponho, aqui, uma reflexão para o leitor: como as paisagens que você habita te constroem?
*Gabriela Gazola Brandão é arquiteta e urbanista pela UFMG, pesquisadora associada ao GHUM (Grupo de Pesquisa Geografia Humanista Cultural) e autora do livro “Ser-Terra: paisagens do café”





