Governadora do Distrito Federal determina fluxo integrado entre segurança, saúde e assistência social e mantém decisão de transferir Centro Pop da Asa Sul
Da Redação
Nas últimas duas semanas, pessoas em situação de rua foram responsáveis por, pelo menos, nove ataques no Distrito Federal. Os episódios incluem agressões e um homicídio.
Em 12 de agosto, uma criança de 5 anos foi agredida com um chute na cabeça por um morador de rua, na Asa Sul.
No mesmo dia, uma mulher em situação de rua foi conduzida à delegacia e autuada por se referir a duas mulheres nascidas na África como “negrinhas”.
Em 11 de agosto, um homem em situação de rua foi morto pela polícia após invadir vários apartamentos e fazer uma idosa de 97 anos de refém, na Asa Sul.
No mesmo dia, um homem em situação de rua foi preso suspeito de assaltar uma loja de conveniência, na Asa Norte, utilizando uma faca para ameaçar a funcionária.
Em 9 de agosto, um morador de rua foi preso após matar um servidor do Senado Federal com 36 facadas, em Taguatinga. No mesmo dia, uma jornalista teve os dedos quebrados após ser assaltada por um morador de rua, no Setor de Rádio e Televisão Norte.
Em 7 de agosto, o zelador de um prédio na Asa Norte foi agredido a pauladas por um homem em situação de rua após uma discussão.
Em 3 de agosto, um morador de rua agrediu uma mulher com um caco de vidro em uma parada de ônibus na Asa Sul.
Em 28 de julho, um homem em situação de rua deu um soco em um jovem de 18 anos, em Águas Claras, fazendo com que o óculos da vítima quebrasse e rasgasse seu rosto.
Essa sequência de ocorrências levou a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), a colocar em prática o protocolo para internação involuntária de pessoas em situação de rua em casos previstos na legislação.
A medida conta com respaldo legal e um fluxograma que define a atuação integrada das forças de segurança, da saúde e da assistência social.
De acordo com a chefe do Executivo local, um dos principais problemas enfrentados até então era a falta de um procedimento padronizado para atender às ocorrências envolvendo moradores de rua com transtornos mentais graves ou em situação de vulnerabilidade extrema.
Segundo Celina Leão, sempre que a Polícia Militar for chamada para uma ocorrência envolvendo pessoas nessas condições, acusadas de cometer crimes, equipes da assistência social acompanharão o atendimento.
Em caso de flagrante, o suspeito será conduzido à delegacia, onde o delegado poderá acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. A depender da situação, o Samu terá respaldo para encaminhar a pessoa ao Hospital São Vicente de Paulo, em Taguatinga Sul, onde ela passará por avaliação médica. Caso o laudo indique a necessidade, será submetida à internação para tratamento.
Celina destacou que o hospital conta com 10 leitos destinados a esse tipo de atendimento. A governadora reforçou que o GDF não vai recuar da ideia de transferir o Centro Pop da Asa Sul.
A mudança ocorrerá mesmo após questionamentos apresentados pelo Ministério Público do DF e Territórios e pelo Tribunal de Contas do DF. “Recebi dois ofícios questionando essa decisão, mas vou fazer a transferência. A decisão está tomada. Se for preciso, vou judicializar. Não faz sentido manter um equipamento dessa natureza ao lado de escolas”, declarou.
Ela afirmou que o novo Centro Pop será administrado pela mesma equipe responsável pelo Hotel Social. O espaço contará com controle de acesso, cadastro de entrada e saída e concentrará diversos serviços públicos, como oferta de refeições, banho, emissão de documentos, atendimento em saúde, assistência social e apoio para o retorno ao estado de origem.
O governo pretende ampliar o acolhimento, mas também endurecer a atuação contra ocupações irregulares em áreas públicas. “Quem quiser receber ajuda terá toda a assistência necessária do Estado. Mas, para quem optar por permanecer em invasões, isso não será permitido”, afirmou.



