Mais de 90 mil famílias do DF ainda não recebem desconto na conta de luz

Cadastros desatualizados e divergências de informações dificultam o acesso à Tarifa Social de Energia Elétrica

Brasília, 12 de outubro de 2026 – Mais de 90 mil famílias do Distrito Federal que atendem aos critérios da Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) ainda não recebem o benefício. O programa garante desconto de 100% sobre a tarifa dos primeiros 80 quilowatts-hora (kWh) consumidos mensalmente. Entre os principais obstáculos estão cadastros desatualizados, divergências de informações e problemas na vinculação entre os dados sociais e a unidade consumidora.

A diarista Patrícia Duarte, de 47 anos, moradora do Gama, enfrenta essa situação. Ela vive com a mãe, Nilza Duarte, de 79 anos, beneficiária do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Apesar de a idosa fazer parte de um dos grupos que podem ter direito à Tarifa Social, a família ainda não conseguiu acessar o desconto.

Segundo Patrícia, a conta de energia da residência costuma ficar em torno de R$ 150 por mês. Em um período de dificuldades financeiras, as despesas de água e eletricidade se acumularam, obrigando a família a renegociar os débitos.

“Foi juntando. Só quem pagava a conta aqui era a minha mãe. Aí juntou a conta de água, a conta de luz, tudo, e virou uma bola de neve”, relata. Para regularizar as despesas, a diarista precisou recorrer a um empréstimo, que ainda está pagando.

Quem tem direito à Tarifa Social?

O benefício atende famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa. Também podem ser contemplados idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência que recebem o BPC.

Famílias inscritas no CadÚnico com renda mensal de até três salários mínimos também podem ter direito ao benefício quando possuem um integrante que necessita utilizar continuamente equipamentos elétricos essenciais à preservação da vida.

Para Patrícia, o desconto representaria um alívio financeiro, principalmente para a mãe, que continuará morando no imóvel após a mudança da filha, prevista para o início do próximo ano.

“Muita diferença para a minha mãe, com certeza, porque ela que paga sozinha. Daria uma ajuda enorme”, afirma.

A diarista conta que, diante das dificuldades, a família precisou reorganizar as despesas para manter os pagamentos essenciais. “A gente teve que se virar. Era comida, era gás, era tudo incluído”, lembra.

Cadastro desatualizado dificulta acesso

De acordo com a Neoenergia Brasília, entre os principais motivos que impedem consumidores elegíveis de receber a Tarifa Social estão informações desatualizadas no CadÚnico, divergências cadastrais e falta de vínculo entre o cadastro social e a unidade consumidora de energia.

No caso de Patrícia e Nilza, uma das dificuldades relatadas envolve a titularidade da conta de luz. A diarista afirma que procurou informações sobre o benefício, mas recebeu orientações para regularizar os dados relacionados ao imóvel e ao responsável pela unidade consumidora.

Ela também relata dificuldades para conseguir atendimento e atualizar as informações do cadastro social, devido à falta de vagas para agendamento nos períodos em que buscou o serviço. A situação é ainda mais complicada para Nilza, que tem pouca familiaridade com ferramentas digitais.

“Eu não entendo de internet. Sei ligar, só isso”, conta a idosa.

Como solicitar o benefício

Para facilitar o acesso à Tarifa Social, é importante manter os dados do CadÚnico atualizados e verificar se o titular da conta de energia está corretamente relacionado ao cadastro social. A atualização pode ser feita nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).

Se o problema estiver relacionado à titularidade da unidade consumidora, o consumidor deve solicitar a regularização pelos canais de atendimento da Neoenergia Brasília.

A distribuidora informou que tem intensificado as ações para identificar e orientar famílias que atendem aos critérios do programa, mas ainda não recebem o desconto. A iniciativa busca ampliar o alcance do benefício diante das mudanças nas regras federais.

Para famílias como a de Patrícia e Nilza, conseguir a redução na conta pode liberar parte da renda para outras despesas essenciais. “Ela vai precisar de uma ajuda”, resume Patrícia ao falar sobre a mãe.

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