Lula ataca Marco Rubio e acusa secretário de Estado dos EUA de “odiar o Brasil”

Presidente classifica o chefe da diplomacia americana de “bolsonarista” e “latino-americano frustrado”, em meio à grave crise diplomática e comercial entre Brasil e Estados Unidos, e tenta separar a figura de Donald Trump da de seu secretário de Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar nesta sexta-feira (7) o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Durante evento no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), Lula classificou o integrante do governo de Donald Trump como “bolsonarista” e afirmou que ele é um “latino-americano frustrado” que “odeia o Brasil”.

Segundo o petista, Rubio teria uma postura diferente da adotada por Trump nas conversas com o governo brasileiro. Lula afirmou que mantém uma relação respeitosa com o presidente americano, apesar da crise diplomática e comercial entre os dois países.

“Ele [Trump] tem um cidadão que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é um bolsonarista. É o Marco Rubio. Eu disse para o Trump: ‘Esse moço não gosta do Brasil’”, declarou.

Na sequência, Lula fez referência à origem familiar do secretário de Estado americano. Rubio nasceu em Miami e é filho de imigrantes cubanos.

“Ele é um anti-latino-americano ou um latino-americano frustrado porque ele foi embora de Cuba. O avô dele, o bisavô, é de lá, ele nunca morou em Cuba. Mas ele foi embora, ele é um descendente de cubano de Miami. Então ele odeia. Odeia Cuba, odeia a Colômbia, odeia o Brasil”, afirmou.

Lula também disse que Rubio age de maneira diferente das tratativas mantidas diretamente com Trump. “E ele faz as coisas diferentes daquilo que a gente conversa com o Trump”, disse o presidente.

As declarações ocorrem em meio ao agravamento das relações entre os governos brasileiro e americano. Na terça-feira (4), o Departamento de Estado dos EUA anunciou a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Washington justificou a medida pela demora do governo brasileiro em conceder o agrément para Daniel Perez, indicado por Trump para ocupar a embaixada americana em Brasília.

O governo Lula classificou a revogação do visto como parte de uma escalada de medidas hostis e afirmou que adotaria o princípio da reciprocidade.

Durante o mesmo evento, Lula tentou separar a figura de Trump da de Rubio, afirmando que o presidente americano sempre o tratou com respeito. Também voltou a contestar os argumentos usados pelos Estados Unidos para justificar as tarifas sobre produtos brasileiros e destacou a redução dos alertas de desmatamento no país, prometendo enviar a Trump uma fotografia dos gráficos do INPE.

A estratégia de Lula de personalizar o conflito no secretário de Estado, enquanto tenta preservar uma imagem de diálogo com Trump, revela a dificuldade do governo brasileiro em gerir a crise diplomática. Ao chamar publicamente o chefe da diplomacia americana de “bolsonarista” e de alguém que “odeia o Brasil”, o presidente eleva o tom de confronto em um momento em que o país já enfrenta tarifas elevadas e restrições diplomáticas.

Em vez de buscar canais de distensão, as declarações de Lula aprofundam a polarização e dificultam ainda mais a reconstrução das relações bilaterais. O Brasil precisa de uma diplomacia focada em interesses nacionais concretos — e não de ataques pessoais que alimentam a crise.