Lilás de março: especialista destaca conscientização no combate ao câncer de colo de útero

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A vacinação contra o HPV, exames preventivos e diagnóstico precoce são estratégias-chave para reduzir a incidência da doença

O Lilás de março é uma importante mobilização para a saúde da mulher, sendo dedicado à conscientização sobre o câncer do colo do útero. Também conhecida como câncer cervical, essa doença representa um grande desafio de saúde pública. Criada pelo Ministério da Saúde, a campanha tem como objetivo alertar a população sobre fatores de risco, métodos de prevenção e a importância de manter um acompanhamento médico de rotina. Esta é uma forma de estimular a sociedade através do auxílio de ações educativas e promover conhecimentos que possam salvar vidas.

Levantamento do Instituto Nacional do Câncer (INCA), realizado em 2021, indica que o câncer de colo de útero no Brasil, sem considerar os tumores de pele não melanoma, é o terceiro tipo mais frequente entre as mulheres Por meio de uma análise, a região Norte ocupou o primeiro lugar, com taxa de 26,24 mil casos por 100 mil mulheres as regiões Nordeste e Centro-Oeste permaneceram, com taxas de 16,10 e 12,35 casos por 100 mil mulheres, respectivamente. Esses números reforçam a importância de estimular o cuidado preventivo e estimular o diagnóstico precoce.

Segundo a Dra Helaine Rosenthal, especialista em Ginecologia, Obstetrícia e professora de Medicina da UNINASSAU Boa Viagem, toda doença tem um tempo de evolução. No caso do câncer do colo do útero, são cerca de 10 anos desde o contato inicial com o vírus até o aparecimento das primeiras lesões pré-cancerosas, que são 100% curáveis quando diagnosticadas nesta fase.

“O teste é recomendado para ser feito a partir dos 25 anos, mesmo quando a menina tem sua vida sexual iniciada, já que ela não tem uma lesão inicial É necessária a prevenção anual por dois anos consecutivos e depois a cada três anos até os 64 anos. Recentemente, a triagem começou a ser feita pela pesquisa DNA – HPV, que visa diagnosticar os tipos mais agressivos (16 e 18). Quando presentes, há duas opções: fazer o Papanicolau com o mesmo material coletado, agora como teste de triagem; ou ir direto à colposcopia, a fim de detectar lesões e ir à biópsia dirigida. Se o teste for negativo para os subtipos 16 e 18, a mulher só precisa repetir o teste depois de cinco anos”, diz ele.

O principal fator de risco é a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV). É um vírus transmitido principalmente pelo contato sexual, tornando a prevenção uma importante forma de segurança. Além disso, as mulheres que já receberam a vacina devem manter acompanhamento médico e realizar o exame periodicamente.

“O Papanicolau é o teste de triagem, não necessitando de médico. Pode ser uma pessoa de saúde ou um agente de saúde treinado para coletar o material.O médico examinará o slide e observará se existem células com algum potencial oncogênico, que não estão se desenvolvendo adequadamente. Dependendo do resultado, a paciente será encaminhada para uma colposcopia e, caso tenha alguma lesão, faz uma biópsia”, ressalta a especialista.

A vacinação contra o HPV está disponível tanto na atenção à saúde pública quanto na privada, representando um importante avanço na prevenção do câncer de colo uterino. No SUS, a vacina aplicada é a tetravalente, que protege contra quatro tipos do vírus, entre eles o mais oncogênico. É indicado para meninos e meninas de 9 a 11 anos, em dose única. Na rede privada, há a vacina não-avalente, ampliando a proteção para nove subtipos. É uma importante ferramenta de prevenção, mas não protege contra todos os subtipos oncogênicos. Por isso, mesmo após a imunização, ainda há possibilidade de contato com outros tipos de HPV.

“A vacinação também pode ser realizada em pessoas que já iniciaram a vida sexual ou tiveram contato prévio com o vírus, pois existe a possibilidade de terem sido expostas a um subtipo não contemplado pela vacina. Ou seja, mesmo vacinadas, as mulheres precisam manter a triagem, seja através do teste de Papanicolau ou do teste de DNA – HPV. A detecção precoce é fundamental para descobrir possíveis alterações, permitindo um acompanhamento adequado e aumentando as chances de prevenção e tratamento efetivo da doença. A combinação de vacinação e rastreamento regular torna-se uma estratégia essencial para reduzir a incidência de câncer cervical”, conclui o especialista.

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