Hemocentro de Brasília descobre irmãos com tipo sanguíneo raro no DF

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(Foto: Divulgação/Hemocentro)

A descoberta dos irmãos Márcio e Mônica, com sangue raro, amplia a possibilidade de transfusões seguras

Brasília, 3 de outubro de 2024 – A Fundação Hemocentro de Brasília (FHB) identificou dois irmãos, Márcio da Silva Gomes e Mônica da Silva, como portadores de um tipo sanguíneo extremamente raro, graças ao programa de fenotipagem e genotipagem da instituição, que classifica doadores com características especiais. A descoberta possibilita avanços no atendimento a pacientes que necessitam de transfusões específicas.

O sangue raro dos irmãos está relacionado ao sistema Diego, um dos 46 sistemas sanguíneos, como o ABO e o RH. Márcio, um doador frequente do Hemocentro, teve seu sangue selecionado em agosto para a fenotipagem, que analisa antígenos presentes nas hemácias. O resultado indicou um fenótipo raro, o que levou à realização da genotipagem, um método avançado que identifica antígenos diretamente no DNA do paciente, essencial para a segurança das transfusões.

Segundo a bióloga Ana Luísa Mafra, a técnica de genotipagem permite uma investigação em nível molecular fundamental para identificar antígenos com impacto transfusional. A análise confirmou que Márcio é Diego A positivo e Diego B negativo, uma combinação extremamente rara no Brasil. Após a descoberta, sua irmã Mônica também foi testada e apresenta as mesmas características.

“Entre 26 mil cadastrados, só havia uma pessoa com o mesmo tipo de sangue que eu. Agora sei que posso ajudar ainda mais”, diz Márcio da Silva Gomes

Até o momento, o Hemocentro contava com apenas uma doadora com esse tipo de sangue, que era convocada para transfusões de um paciente com anemia falciforme no Hospital Regional do Gama, impossibilitado de receber outro tipo de sangue devido à presença de anticorpos. Com a inclusão de Márcio e Mônica no cadastro de doadores raros, as chances de atender o paciente aumentaram significativamente.

Para Mônica, a descoberta foi emocionante. “Saber que posso ajudar pacientes com um sangue tão raro é um presente”, afirmou. Já Márcio, doador regular, ficou surpreso: “Entre 26 mil doadores cadastrados, só havia uma pessoa com o mesmo tipo de sangue que eu. Agora, posso ajudar ainda mais”.

Banco de Sangue Raro

O Ministério da Saúde mantém o Cadastro Nacional de Sangue Raro, essencial para encontrar doadores com tipos sanguíneos específicos em todo o país. O Hemocentro segue um protocolo rigoroso para incluir doadores no banco nacional, garantindo a disponibilidade do sangue raro para outros estados.

Atualmente, o Hemocentro de Brasília tem 41 doadores cadastrados no banco nacional, sendo que três foram identificados no Centro-Oeste, todos com o fenótipo Diego B negativo. A FHB já fenotipou o sangue de mais de 26 mil doadores, selecionando 12 voluntários diariamente para análises detalhadas em busca de características raras.

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