Incêndios no Cerrado colocam fauna em risco, com animais resgatados e tratados por hospitais veterinários
Brasília, 30 de setembro de 2024 – O Governo do Distrito Federal (GDF) tem realizado um trabalho contínuo para resgatar e tratar animais vítimas dos incêndios que atingiram o Cerrado nas últimas semanas. Por meio de órgãos ambientais, a fauna afetada recebe cuidados essenciais em unidades veterinárias especializadas.
Atualmente, no Hospital Veterinário do Zoológico de Brasília, uma anta e dois tamanduás, resgatados com ferimentos graves, estão sendo tratados. A anta macho, retirada de uma área devastada no Parque Nacional em 18 de setembro, apresenta queimaduras severas nas patas e sinais de inalação de fumaça. Seu tratamento inclui o uso de pele de tilápia, técnica avançada para regeneração de tecidos queimados. Já os tamanduás, resgatados na Floresta Nacional, sofrem de queimaduras nas patas, com um dos filhotes sendo alimentado por sonda.

De acordo com a diretora do hospital, Tânia Borges, além de tratamentos fitoterápicos e monitoramento intensivo, as equipes permanecem em alerta para atender emergências e resgatar outros animais nas áreas atingidas.
No Hospital e Centro de Reabilitação da Fauna Silvestre (Hfaus), o fluxo de pacientes também aumentou. Um filhote de cachorro-do-mato foi encontrado com fratura na coluna após cair em um buraco durante uma fuga de incêndio. Outro caso envolve um lobo-guará filhote, localizado sob um carro, que foi recolhido para sua proteção. Além disso, um pequeno bugio chegou ao hospital desidratado, e um tamanduá filhote, separado da família, também está sendo tratado.

Thiago Marques, biólogo responsável pelo manejo dos animais silvestres, destaca que os incêndios não apenas ferem diretamente os animais, mas também os levam a áreas urbanas em busca de alimento e abrigo, aumentando o risco de atropelamentos e outros acidentes. O hospital tem lidado com casos frequentes de colisões e ataques a animais fugindo do fogo.
Os especialistas alertam que, ao encontrar um animal silvestre, o ideal é acionar os órgãos competentes como o Batalhão de Policiamento Ambiental ou os bombeiros. Resgates inadequados, mesmo com boas intenções, podem comprometer a sobrevivência desses animais na natureza.
Após tratamento, os animais passam por uma avaliação rigorosa para determinar se podem ser reintegrados à natureza. Em casos onde a soltura não é viável, os animais podem ser destinados a cativeiros ou zoológicos autorizados.
Este trabalho é parte de um esforço conjunto entre o GDF, Ibama, Ibram e ICMBio para garantir a recuperação e preservação da fauna do Cerrado.





