Crimes já superam 86 km de fios furtados e elevam risco à infraestrutura pública
Brasília, 10 de dezembro de 2025 — Os furtos de cabos de iluminação pública no Distrito Federal já ultrapassaram 86 quilômetros somente em 2025, volume suficiente para ligar Santa Maria a Formosa (GO). A extensão, que também corresponde a mais de 800 campos do Estádio Mané Garrincha alinhados, reforça a dimensão do problema e seus impactos diretos na mobilidade, na segurança e na infraestrutura da capital federal.
As ações criminosas ocorrem a qualquer hora e atingem desde vias movimentadas até áreas residenciais e pontos de relevância turística. Cada ocorrência exige que a CEB Iluminação Pública e Serviços (CEB IPes) substitua a fiação furtada e, em muitos casos, reconstrua trechos inteiros da rede, troque luminárias danificadas e reorganize circuitos, o que aumenta custos, atrasa outras manutenções e deixa regiões mais vulneráveis.
A Asa Norte, especialmente as quadras 700, permanece como o principal alvo das quadrilhas. Para conter o avanço, a CEB IPes reforçou com solda as janelas de inspeção que dão acesso à fiação subterrânea, contratando uma empresa especializada. Além disso, foram adotadas medidas como a troca de postes por braços instalados diretamente na rede elétrica e a substituição de cabos de cobre por alumínio, menos valorizado por receptadores.
Mesmo com as medidas, os furtos seguem ocorrendo. A Catedral Metropolitana de Brasília voltou a ser alvo de vandalismo, apesar de toda a fiação ser de alumínio; refletores foram arrancados e lançados no espelho d’água. Na Esplanada, equipes trabalham nesta semana na reconstrução do circuito de iluminação do entorno do Museu Nacional, depois do furto de mais de 500 metros de cabos subterrâneos.
Os prejuízos relacionados apenas à iluminação pública já ultrapassam R$ 1,6 milhão. O desafio é ampliado pelo fato de Brasília possuir uma das maiores redes subterrâneas de iluminação do país. Embora preserve o desenho urbanístico da capital, o modelo facilita o acesso clandestino à fiação e torna os reparos mais complexos e demorados.
Com o agravamento dos crimes, o governo federal sancionou a Lei nº 15.181/2025, que aumenta as penalidades para furto, roubo e receptação de cabos elétricos. Agora, as punições variam de 2 a 8 anos de prisão para furto qualificado, de 6 a 12 anos para roubo e podem chegar a 16 anos em casos de receptação qualificada.
A Polícia Civil do DF conduz investigações e já identificou ao menos uma quadrilha especializada, divulgando imagens dos suspeitos. A corporação reforça que denúncias de situações suspeitas podem ser feitas pelo número 190, enquanto informações anônimas que auxiliem nas apurações devem ser enviadas ao 197. O registro de boletins de ocorrência é essencial para mapear as regiões mais afetadas e orientar ações de combate.





