Dados da Secretaria de Saúde mostram 991 pacientes à espera de um rim e 830 de córnea
Brasília, 27 de setembro de 2026 – Um total de 1.902 pessoas aguardava por transplantes de órgãos e córneas no Distrito Federal até 31 de agosto, segundo dados da Secretaria de Saúde. A maior parte dos pacientes esperava por um rim ou uma córnea.
Do total, 991 pessoas aguardavam por transplante renal, 830 por córnea, 43 por fígado e 38 por coração. Entre janeiro e maio deste ano, 319 transplantes foram realizados na rede pública do DF, de acordo com o Painel InfoSaúde.
A importância da doação
O Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado neste domingo (27), reforça a importância de informar a família sobre o desejo de ser doador.
Segundo o cardiologista Hugo Faria, comunicar previamente essa decisão pode ajudar os familiares a lidar com o momento de perda e evitar dúvidas sobre a vontade do paciente.
“Deixar essa vontade clara é uma forma de cuidar de quem você ama, para que, em um momento tão difícil, seus familiares não precisem carregar também a dúvida sobre o que você gostaria que fosse feito”, afirmou.
O médico também destaca a necessidade de acolhimento durante a conversa com os familiares. “Essa é uma das conversas mais delicadas que uma família pode enfrentar. Naquele momento, ela está perdendo alguém que ama, alguém com quem dividiu uma vida e ainda tinha tantos planos. Essa família precisa ser acolhida, ouvida e respeitada ao longo de toda a conversa”, disse.
Um ano à espera de um coração
Em 2025, 38 transplantes de coração foram realizados na rede pública do Distrito Federal. Entre os pacientes estava Adalberto Souza da Anunciação, de 33 anos.
Os primeiros sintomas surgiram de forma repentina. Ele procurou um clínico geral após sentir mal-estar e fraqueza e, depois dos exames, foi orientado a buscar atendimento cardiológico. Segundo Adalberto, os médicos identificaram que o coração estava aumentado.
O paciente passou por diferentes internações. Primeiro, ficou 28 dias no Hospital de Base do Distrito Federal. Depois, permaneceu cerca de 20 dias no Hospital Santa Helena. Após uma nova piora, recebeu a informação de que precisaria permanecer internado até conseguir um transplante.
“A médica me falou que eu não poderia ir mais para casa, que meu coração estava muito fraco. Eu ia sair do hospital agora só depois do transplante. Que meu coração não estava aguentando mais”, relembrou.
Adalberto afirma que ficou aproximadamente um ano internado no Hospital Santa Helena aguardando pelo órgão. O transplante foi realizado no Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF), em 5 de fevereiro de 2025.
Após a cirurgia, ele conta que voltou ao trabalho, continua tomando os medicamentos prescritos e retomou projetos que tinha antes da doença.
“A doação de órgão é muito importante. A doação de órgão salva vidas”, afirmou.
Como funciona a distribuição
A distribuição dos órgãos não ocorre apenas pela ordem de inscrição na fila. Segundo o cardiologista Hugo Faria, são considerados critérios como urgência clínica, compatibilidade sanguínea, tamanho adequado do órgão e tempo de espera.
Após o transplante, o paciente precisa manter acompanhamento médico regular e utilizar medicamentos para evitar a rejeição do órgão transplantado por toda a vida. Também são necessários cuidados para reduzir o risco de infecções.
Com a recuperação, muitos pacientes podem retomar atividades cotidianas, profissionais e físicas, conforme avaliação e orientação da equipe de saúde.
No Brasil, pessoas que desejam ser doadoras devem comunicar a decisão aos familiares. Após a morte, a autorização da família é necessária para que a doação seja realizada.



