População deve acionar Vigilância Ambiental ao encontrar inseto para prevenção da doença
Brasília, 8 de setembro de 2025 – A Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde (Dival), vinculada à Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), registrou a captura de 317 barbeiros nos últimos três anos no Distrito Federal. A maioria dos insetos pertence à espécie Panstrongylus megistus, principal vetor da doença de Chagas.
Segundo levantamento, foram 10 barbeiros identificados em 2025, 45 em 2024 e 262 em 2023. Do total coletado entre 2023 e 2024, oito estavam contaminados pelo protozoário Trypanosoma cruzi, responsável pela transmissão da doença. Cerca de 77% desses insetos foram encontrados em quintais e 23% dentro de residências, principalmente nas regiões do Park Way, Planaltina, Águas Claras e Vicente Pires.
A bióloga Vilma Ramos Feitosa, da SES-DF, explica que a detecção precoce é essencial para evitar riscos à saúde. “O morador deve comunicar imediatamente a Vigilância Ambiental, que fará a análise do inseto e, se confirmado como barbeiro, verificará se ele está infectado. A equipe também realiza inspeção domiciliar e medidas de controle”, destaca.
Como proceder ao encontrar um barbeiro
De acordo com o biólogo Israel Martins, da Dival, o inseto deve ser capturado com cuidado e sem contato direto, utilizando luvas ou sacos plásticos sem furos. “Ele precisa ser colocado em um recipiente fechado, sem água ou álcool, para evitar a fuga”, orienta.
A notificação pode ser feita pelos telefones (61) 3449-4427 ou Disque-Saúde 160. Outra alternativa é entregar o inseto em um dos 84 Postos de Informações de Triatomíneos (PITs) para análise laboratorial.
Transmissão e prevenção
Os barbeiros não nascem infectados. Eles adquirem o Trypanosoma cruzi ao se alimentarem do sangue de pessoas ou animais contaminados. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com fezes do inseto, que entram na pele através de pequenas feridas ou coceiras no local da picada.
Outras formas de contágio incluem transmissão vertical (da mãe para o bebê durante a gestação), ingestão de alimentos contaminados e acidentes laboratoriais.
Para reduzir riscos, a população deve:
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instalar telas metálicas em portas e janelas;
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usar repelentes e roupas de manga longa em áreas de mata, principalmente à noite;
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manter a casa limpa, verificando frestas em paredes, atrás de quadros, sofás e camas;
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evitar acúmulo de objetos que possam servir de abrigo para insetos;
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ter atenção à higienização dos alimentos e locais de preparo.
Doença de Chagas: sintomas e riscos
A doença se apresenta em duas fases:
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Aguda – pode ser assintomática ou apresentar febre, mal-estar, dor de cabeça, inchaço em um dos olhos, dores no corpo e fraqueza. Nessa etapa, há chance de cura com tratamento adequado.
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Crônica – surgem problemas cardíacos, como insuficiência cardíaca e arritmias, além de complicações digestivas, como megaesôfago e megacólon. Essa fase pode evoluir para risco de morte.
Mesmo sem registros recentes de transmissão vetorial autóctone no DF — ou seja, dentro da própria região —, o território tem a segunda maior taxa de mortalidade por doença de Chagas crônica no Brasil. Esse cenário é influenciado por movimentos migratórios e pela vinculação dos óbitos ao local de residência.






