Data internacional reforça conscientização sobre epilepsia infantil

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(Fotos: Maria Clara Oliveira/HCB)

Hospital da Criança de Brasília destaca diagnóstico precoce e tratamento especializado

Brasília, 9 de fevereiro de 2026 — A segunda segunda-feira de fevereiro marca o Dia Internacional da Epilepsia, dedicado a ampliar a informação e o debate sobre a doença neurológica, caracterizada por alterações na atividade elétrica do cérebro que se manifestam em crises clínicas diversas.

Segundo a neurologista do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), Maria Olívia Fernandes, a epilepsia é definida pela predisposição do cérebro a apresentar crises não provocadas por fatores como febre, trauma ou infecção. “A condição não envolve apenas as crises convulsivas, mas também impactos biológicos, psicológicos, sociais e financeiros para o paciente e sua família”, explica.

O HCB acompanha crianças e adolescentes com epilepsia por meio de atendimentos ambulatoriais, internações e, quando necessário, procedimentos cirúrgicos. O tratamento inicial é medicamentoso, porém nem sempre é suficiente para controlar as crises.

De acordo com a neurologista Renata Brasileiro, cerca de 30% dos pacientes com epilepsia, incluindo crianças e adultos, apresentam resistência aos medicamentos. “Esses casos exigem acompanhamento em serviços especializados”, afirma. Para esses pacientes, o hospital dispõe de alternativas terapêuticas, como a dieta cetogênica — que modifica a fonte de energia do cérebro — e a cirurgia, quando indicada.

João Pedro Gonçalves, ao lado da mãe, segue as orientações de estilo de vida e alimentação dadas pela equipe do HCB e conseguiu melhorar a qualidade de vida

Entre os pacientes acompanhados está João Pedro Gonçalves, de 12 anos, que teve a primeira crise aos dois anos de idade, mas recebeu o diagnóstico apenas anos depois. A mãe, Julle Gonçalves, relata que o encaminhamento ao HCB ocorreu após um traumatismo craniano grave. “Foi a partir daí que ele passou a ser acompanhado de forma contínua”, conta.

Após sete anos de tratamento, João Pedro alcançou maior controle das crises e melhor qualidade de vida. Seguindo orientações médicas, mantém rotina de sono, alimentação equilibrada e prática de atividade física. O próprio menino lembra os horários das medicações diárias. “No começo foi difícil, mas com o tempo eu me acostumei”, relata.

Crises e sinais de alerta
Para confirmar o diagnóstico de epilepsia, é necessário que o paciente apresente pelo menos duas crises não provocadas em um intervalo superior a 24 horas. Maria Olívia Fernandes ressalta que a convulsão generalizada, mais conhecida pelo público, não é a forma mais comum em crianças. “Na população pediátrica, são mais frequentes as crises focais, que variam conforme a área do cérebro afetada”, explica.

Essas crises podem se manifestar por paradas comportamentais, movimentos repetitivos, tremores em membros, desvio de face ou rigidez muscular. A médica orienta que comportamentos incomuns e recorrentes devem ser avaliados. “Movimentos repetitivos, episódios de ausência ou convulsões clássicas são sinais de alerta para procurar atendimento médico”, afirma.

Além do acompanhamento clínico, o Hospital da Criança de Brasília realiza exames fundamentais para o diagnóstico, como ressonância magnética e eletroencefalograma, aliado à análise detalhada do histórico do paciente.

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