Corpo de Bombeiros do DF detalha estratégias para enfrentar estiagem, com uso de IA, drones e campanhas educativas, e destaca papel da população na preservação do Cerrado
Por Adailton Júnior (AJ)
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) realizou, na manhã desta quarta-feira (3), uma coletiva de imprensa com jornalistas da Associação Brasileira de Portais de Notícias (ABBP) para apresentar os avanços da Operação Verde Vivo (OPVV) 2025, iniciada em maio e agora na fase mais crítica devido à intensificação da seca, a partir de 1º de setembro. A operação, que se estende até 30 de novembro, visa prevenir e combater incêndios florestais no Cerrado, bioma predominante do Distrito Federal, com ações que combinam tecnologia, capacitação e conscientização comunitária.
A OPVV 2025, coordenada pelo Grupamento de Proteção Ambiental (GPRAM), é dividida em seis fases ao longo de seis meses, com foco em preparação, combate e avaliação. A primeira fase, entre março e maio, concentrou-se na capacitação de bombeiros, com treinamentos para 226 militares e oficinas para comunidades rurais, incluindo a confecção de abafadores e instruções de primeiros combates. A fase atual, iniciada em setembro, é marcada pela seca intensa, com aumento de focos de calor, exigindo resposta rápida. A última fase, em novembro, será dedicada à análise de resultados para aprimorar futuras edições.
O CBMDF mobilizou recursos expressivos para enfrentar o período crítico:
Efetivo: 200 militares administrativos e 520 em regime de sobreaviso, totalizando mais de 720 bombeiros dedicados.
Equipamentos: 37 viaturas florestais, caminhões, ônibus de apoio e veículos leves com kits de combate de 400 litros de água, com jato compacto ou nebulizado para áreas de difícil acesso.
Recursos aéreos: Aviões e helicópteros priorizam regiões vulneráveis, como a Estação Ecológica de Águas Emendadas (EZE).
Tecnologia: Uso de inteligência artificial (IA) com câmeras para identificação de focos de incêndio, imagens de satélite em tempo real e georreferenciamento para monitoramento contínuo, permitindo respostas em até 48 horas, como registrado em 2024.
A corporação também anunciou a aquisição de drones de grande porte, capazes de transportar até 40 kg, para ampliar o monitoramento de áreas críticas, reforçando a estratégia de prevenção.
A comunicação com a população é um pilar central da OPVV. O CBMDF utiliza a Agência Brasília, redes sociais, e-mails, o site oficial (www.cbm.df.gov.br) (www.cbm.df.gov.br) e parcerias com veículos da ABBP para divulgar campanhas educativas. Pelo menos dois meses da operação são dedicados à conscientização, com visitas a escolas e orientações para evitar queimadas criminosas, que representam a maioria das 8.554 ocorrências registradas em 2024.
O comandante do CBMDF, coronel A. Barcelos, destacou a importância do engajamento comunitário: “O cidadão pode colaborar evitando queimadas, denunciando focos de incêndio pelo canal 193 e adotando práticas conscientes. Preservar o Cerrado e proteger vidas é uma responsabilidade compartilhada.”
Ele também pediu que administradores regionais (RAs) sejam acionados para implementar medidas preventivas, como a construção de aceiros e a limpeza de terrenos.
O CBMDF registra uma média de 130 ocorrências diárias de incêndios florestais, mas lamenta os cerca de 18 trotes por dia, que sobrecarregam o canal 193 e atrapalham o atendimento. Em 2024, a maior estiagem da história do DF, com 167 dias sem chuva, resultou em danos significativos à fauna, flora e qualidade do ar, além de perdas patrimoniais e aumento de doenças respiratórias. A operação busca reduzir esses impactos, com ações como rondas periódicas, sobrevoos e apoio aéreo em áreas como a Floresta Nacional de Brasília (FLONA).
A OPVV 2025 conta com a colaboração da Secretaria de Segurança Pública (SSP/DF), Polícia Civil (PCDF) e órgãos ambientais, como o IBAMA, para fiscalizar queimadas criminosas e realizar queimas prescritas, que reduzem material inflamável. O Projeto Piloto de Resgate de Fauna Vertebrada Silvestre também foi mantido, socorrendo animais afetados pelos incêndios ou deslocados para áreas urbanas.
A vice-governadora Celina Leão, presente no lançamento da operação em 30 de abril, reforçou a importância da integração entre forças de segurança e a comunidade rural, especialmente durante a estiagem. “A parceria com a população é essencial para identificar movimentações suspeitas e prevenir crimes ambientais”, afirmou.
Com a fase mais crítica em andamento, o CBMDF intensificará o monitoramento por satélite e drones, além de ampliar as campanhas educativas. A corporação reforça que provocar incêndios sem autorização é crime ambiental e incentiva denúncias pelo canal 193, com informações precisas sobre localização e pontos de referência. A operação seguirá até o fim da estiagem, com expectativa de reduzir os índices de queimadas e preservar o Cerrado.







