Governo chinês descarta absorver exportações brasileiras destinadas aos EUA em meio a tensões comerciais com Washington
Da Redação
Fontes do governo chinês declararam, nesta quinta-feira (31), que a China não planeja ampliar suas importações de produtos brasileiros para absorver o volume de exportações destinadas aos Estados Unidos, afetadas por uma sobretaxa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump em 27 de julho de 2025.
A decisão americana, motivada por alegações de práticas de censura e desequilíbrios comerciais, levou o Brasil a buscar novos mercados, mas a China informou que sua capacidade de absorção está limitada.
Em 2024, a China adquiriu 28,5% das exportações brasileiras, totalizando US$ 98 bilhões, com destaque para soja (35%), minério de ferro (22%) e petróleo (19%), conforme dados do Ministério da Economia. As fontes chinesas afirmaram que o mercado interno já opera no limite para essas commodities, e produtos como suco de laranja, café e carne enfrentam barreiras devido à concorrência global e à baixa demanda interna.
A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) destacou que os EUA consomem 42% do suco de laranja brasileiro, volume que a China não pode substituir.O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) também apontou que o mercado chinês, embora em expansão, não absorveria o café destinado aos EUA, onde o Brasil compete com Vietnã e Honduras.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima perdas de até US$ 11 bilhões anuais com as tarifas americanas, pressionando o governo brasileiro a negociar com mercados alternativos, como Japão, Coreia do Sul e Mercosul. O Itamaraty intensificou contatos, mas resultados ainda são incertos.Até o momento, o governo brasileiro não se pronunciou oficialmente sobre a posição chinesa, e a embaixada da China em Brasília não divulgou novos esclarecimentos. A situação reforça a necessidade de diversificação das exportações brasileiras para reduzir a dependência de poucos parceiros comerciais.





