Celina anuncia reversão de déficit fiscal e projeta superávit de R$ 3 bilhões

Governadora Celina Leão e secretário de Economia apresentam balanço do primeiro semestre e destacam recuperação da Capag de C para A em coletiva no Palácio do Buriti

Da Redação

O Governo do Distrito Federal anunciou que reverteu o déficit fiscal dos primeiros meses de 2026 e projetou superávit de R$ 3 bilhões para o fim do ano. Os dados do balanço das contas do primeiro semestre foram apresentados nesta sexta-feira (7), no Palácio do Buriti. “Assumimos um governo com rombo de quase R$ 5 bilhões, gravíssimo, com atrasos em pagamento. Imediatamente, fizemos um choque de gestão que custou da nossa parte administrativa e política um esforço gigantesco para que as pessoas pudessem entender que havia uma nova gestão fiscal e orçamentária”, declarou Celina Leão.

O secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, afirmou que os ajustes fiscais realizados nos últimos meses permitiram a recuperação da capacidade de pagamento de C para A. O fato de o GDF ter Capag C no primeiro semestre de 2026 o impediu de obter aval da União para o empréstimo de R$ 6,6 bilhões com objetivo de capitalizar o Banco de Brasília. Com os novos dados, o tema será novamente discutido em audiência no Supremo Tribunal Federal, agendada para o dia 13 de agosto.

Celina Leão afirmou que o acordo homologado pelo ministro Luiz Fux, que previa aval de bancos e contragarantias do GDF para obtenção do crédito no Fundo Garantidor de Créditos, não foi cumprido. A governadora também rebateu críticas de integrantes do governo federal e afirmou que ela não politiza o assunto.

“Nós temos um acordo que está vigente ainda, mesmo com um pouco de inércia, mas nós vamos tratar sobre isso [no STF]. Nós temos documentações, inclusive sobre a previsibilidade de Capag A provisório. Diferente do que o governo federal está fazendo, com avaliações e falas políticas, nós não vamos cometer esse erro, porque nossa fala aqui sobre o BRB é uma fala técnica”, afirmou.

O déficit já registrado nas contas públicas era de R$ 1,9 bilhão em abril de 2026, segundo Valdivino de Oliveira. O secretário afirmou que havia mais R$ 4 bilhões não contabilizados referentes às despesas contratadas sem orçamento. “Um caso típico é o transporte público, onde você tem subsídio de R$ 2,2 bilhões ao ano e orçamento de R$ 1,1 bilhão. Já pegamos com déficit de R$ 1,1 bilhão só nesse item”, enfatizou.

Valdivino de Oliveira foi nomeado em abril por Celina Leão assim que ela tomou posse, após a renúncia de Ibaneis Rocha. A previsão, naquele momento, era de que o déficit chegaria a R$ 6 bilhões até o fim do ano. Para conter os gastos, um decreto passou a impedir o empenho de pagamento sem dinheiro em caixa nos órgãos do GDF.

Celina também determinou corte de até 25% em contratos e suspendeu reajustes. “O carro da despesa tem que ter um freio bom, acioná-lo sempre para que ele não ultrapasse a velocidade que a via permite. Usei essa figura de linguagem para dizer a vocês que o nosso modelo de gestão se baseia nisso: segurar a despesa para que ela não perca o controle ao longo do ano e acelerar a questão da receita”, disse Valdivino de Oliveira.

De acordo com o balanço das contas públicas distritais referentes ao primeiro semestre do ano, o GDF também conseguiu reduzir a relação entre despesas e receitas correntes. O índice estava acima de 95%, limite a partir do qual o DF estava impedido de realizar concursos públicos e outras despesas. Segundo os dados divulgados, o índice baixou para 93,95%.

Nos últimos 12 meses, o DF registrou R$ 44,79 bilhões de receita e R$ 42,08 bilhões em despesa, com diferença positiva de R$ 2,71 bilhões.