Durante entrevista à Rádio Atividade, governadora afirmou que questões políticas dificultaram a obtenção de garantia federal para empréstimo e voltou a defender a recuperação do Banco de Brasília
Da Redação
A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de politizar a crise financeira do Banco de Brasília (BRB). A declaração foi feita na manhã deste sábado (10/10), durante entrevista à Rádio Atividade, na qual a governadora voltou a criticar o governo federal pela negativa de aval a uma operação de crédito destinada à instituição financeira.
Segundo Celina, a solicitação apresentada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) foi rejeitada por motivos políticos e ideológicos. A governadora também afirmou que a atuação de adversários durante a crise prejudicou a imagem e a liquidez do banco.
“O PT politizou a crise do BRB. Ele deveria ter atendido, dado o aval, que era uma coisa tão simples. Eles salvaram os Correios, que não têm como se manter, gastando mais de R$ 8 bilhões. Está de novo colocando dinheiro […] Nós não usamos lobista, não usamos nada disso. Nós fomos no governo federal pedir um aval e foi negado”, declarou.
As afirmações sobre as motivações da negativa e os recursos destinados aos Correios são de responsabilidade da governadora.
GDF busca garantia federal para operação de crédito
O Governo do Distrito Federal tenta viabilizar uma operação de crédito para reforçar a situação financeira do BRB, após os problemas relacionados às operações com o Banco Master.
Uma das alternativas discutidas pelo governo distrital envolve a obtenção de garantia da União para a contratação de financiamento.
O impasse chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso está sob relatoria do ministro Luiz Fux.
Na entrevista, Celina afirmou que o aval federal foi negado por “questões ideológicas e políticas”.
A concessão de garantia pela União envolve requisitos legais e financeiros, e a motivação política apontada pela governadora não foi demonstrada no material apresentado.
Celina responsabiliza adversários por desgaste do banco
Questionada sobre as medidas que pretende adotar caso seja reeleita, Celina afirmou que sua atuação continuará baseada em “sinceridade, trabalho e transparência”.
A governadora também criticou manifestações públicas de adversários políticos sobre a situação do BRB. Na avaliação dela, publicações negativas contribuíram para ampliar as dificuldades enfrentadas pela instituição.
“Essa crise se estende desde o ano passado. Os meus adversários postavam mensagens contra o banco, isso atrapalha a liquidez do banco. Não teve nenhum deles que trabalhou com seriedade. É engraçado você ouvir o meu adversário [Leandro Grass] falando que vai ajudar. Por que não ajudou até agora? O candidato dele é presidente da República. Já podia ter sido resolvido, né?”, afirmou.
Celina se referiu ao candidato do PT ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass, seu adversário no segundo turno.
As declarações associam a atuação dos adversários ao agravamento da crise, mas não foram apresentados, na entrevista reproduzida, dados que permitam quantificar o eventual impacto dessas manifestações sobre a liquidez do BRB.
Governadora relaciona solução da crise ao cenário político
Durante a entrevista, Celina também associou a possibilidade de recuperação do banco ao resultado das eleições para a Presidência da República e para o Governo do Distrito Federal.
A governadora afirmou acreditar que uma eventual mudança no comando do governo federal poderia facilitar as negociações para encontrar uma solução financeira para a instituição.
“A gente cuidou muito do banco. Se não fosse o meu empenho, a nossa garra, esse banco teria, talvez, tido um outro destino, mas se aproximando de uma vitória de Flávio [Bolsonaro], que é isso que se configura para um segundo turno, e uma vitória nossa, eu tenho certeza que o BRB vai ter uma saída muito melhor do que se tivesse com o PT”, declarou.
A avaliação sobre os possíveis efeitos eleitorais nas negociações é uma manifestação política da candidata. Não há, nas informações apresentadas, confirmação de que uma eventual mudança de governo resultaria na aprovação de financiamento.
Privatização do BRB está descartada, afirma Celina
A governadora também reiterou sua posição contrária à privatização do Banco de Brasília.
Na terça-feira (6/10), após um encontro com candidatos da coligação Propósito e Ação, no Ulysses Centro de Convenções, Celina afirmou que a desestatização da instituição estava “completamente descartada”.
Na ocasião, ela informou que o governo distrital avaliava alternativas de financiamento internacional para reduzir a dependência das negociações com instituições financeiras brasileiras.
“Nós estamos também conversando para pegar esse financiamento também internacional, para não depender de um sindicato de bancos aqui. Nós temos outras saídas também, mas não tem isso aí, está descartada completamente [a desestatização]”, disse.
A governadora também criticou informações sobre uma possível privatização, afirmando que esse tipo de discussão poderia afetar a confiança na instituição.
“Eles estão falando isso desde o primeiro turno para desestabilizar. Eu acho que esse tipo de notícia é tão negativa. O banco BRB está firme, nós estamos. A população tem mantido a liquidez, as pessoas que acreditam no BRB, sabem que nós vamos tirar o banco dessa situação”, acrescentou.
Crise do BRB permanece no debate eleitoral
A situação do Banco de Brasília tornou-se um dos temas da campanha para o segundo turno das eleições no Distrito Federal, marcado para 25 de outubro.
Celina Leão disputa a reeleição contra Leandro Grass (PT), enquanto Lula e Flávio Bolsonaro (PL) concorrem à Presidência da República.
O governo distrital segue em busca de alternativas para reforçar a estrutura financeira do BRB. Entre as possibilidades mencionadas pela governadora estão financiamentos nacionais e internacionais, além da operação que depende de garantia federal.
Até o momento, as informações apresentadas não indicam a conclusão de um novo financiamento nem uma solução definitiva para a situação financeira da instituição.


