Estratégia com mosquitos Wolbachia e ações de vigilância ajudam na redução da doença
Brasília, 10 de março de 2026 – O Distrito Federal registrou 1.719 casos suspeitos de dengue nas sete primeiras semanas de 2026, número 62,4% menor que os 4.579 registros contabilizados no mesmo período do ano passado. A redução é atribuída a um conjunto de estratégias adotadas pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), com destaque para a liberação de mais de 38 milhões de mosquitos Aedes aegypti inoculados com a bactéria Wolbachia.
Conhecidos como “wolbitos”, esses mosquitos possuem menor capacidade de transmitir a dengue e têm potencial para substituir gradualmente a população original do vetor. Segundo o chefe da Assessoria de Mobilização Institucional e Social para a Prevenção de Endemias, Allex Moraes, os resultados indicam que a iniciativa tem sido bem-sucedida, já que os insetos liberados conseguiram se adaptar e se estabelecer no ambiente.
O monitoramento é feito por meio de ovitrampas, armadilhas utilizadas para capturar mosquitos e avaliar a presença da bactéria. De acordo com os dados da Secretaria de Saúde, nas dez regiões administrativas onde houve a soltura dos wolbitos, a média de mosquitos com Wolbachia já alcança 68,29% da população local de Aedes aegypti. O menor índice foi registrado na Fercal, com 53,73%, enquanto o Itapoã apresentou o maior percentual, chegando a 81,44%.
A expectativa dos especialistas é que a presença desses mosquitos continue aumentando. Isso ocorre porque o cruzamento entre insetos com Wolbachia gera novas gerações também portadoras da bactéria, enquanto a reprodução com mosquitos não inoculados tende a produzir novos wolbitos ou não gerar descendentes. A bactéria não provoca alterações genéticas e não é transmitida para humanos ou outros mamíferos.
Segundo o chefe do Núcleo de Controle Químico e Biológico, Anderson de Morais, uma vez estabelecida em determinada área, a Wolbachia tende a permanecer na população de mosquitos de forma natural, dispensando liberações contínuas ao longo do tempo.
Com o passar dos meses, a tendência é que os mosquitos com Wolbachia se espalhem gradualmente para outras regiões administrativas. Embora o Aedes aegypti tenha capacidade de voo limitada, a dispersão pode ocorrer com o auxílio involuntário de atividades humanas, como transporte de objetos e deslocamentos em veículos.
Além da dengue, o Aedes aegypti é responsável pela transmissão de outras arboviroses, como zika, chikungunya e febre amarela.
Apesar dos resultados positivos da estratégia com os wolbitos, outras medidas continuam sendo adotadas no combate às arboviroses. Em 2025, equipes de Vigilância Ambiental da SES-DF realizaram mais de 1,8 milhão de visitas domiciliares para identificar e eliminar possíveis focos do mosquito.
Entre as tecnologias utilizadas também estão a Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI), a instalação de estações disseminadoras de larvicidas e o monitoramento com ovitrampas. Drones também têm sido empregados para identificar possíveis criadouros em locais de difícil acesso.
A vacinação contra a dengue também integra as ações de prevenção. No Distrito Federal, a imunização é aplicada em duas doses para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. Em fevereiro deste ano, profissionais que atuam diretamente no combate ao mosquito passaram a integrar o público-alvo da vacina.
Mesmo com o avanço das estratégias, especialistas reforçam que a participação da população continua sendo fundamental para evitar a proliferação do mosquito e reduzir os casos da doença.





