Casos de hanseníase caem no Distrito Federal nos últimos anos

COMPARTILHAR

(Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde-DF)

Redução é de quase 30% desde 2022, aponta boletim epidemiológico da Saúde

Brasília, 13 de janeiro de 2026 – Dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) mostram que o número de casos de hanseníase apresentou queda nos últimos três anos na capital. Em 2024, foram registradas 113 ocorrências da doença, volume 28,5% inferior aos 158 casos contabilizados em 2022. Entre 2020 e 2024, o DF somou 1.018 notificações, conforme informações do Informativo Epidemiológico da Hanseníase.

Atualmente, o Distrito Federal registra uma taxa de detecção de 3,53 casos a cada 100 mil habitantes, índice que o enquadra em um patamar de média endemicidade, segundo critérios técnicos adotados pelo Ministério da Saúde. O levantamento também aponta que os homens concentram metade das novas notificações, e a maior incidência ocorre na faixa etária entre 50 e 59 anos.

Apesar do avanço local, o cenário nacional ainda inspira atenção. O Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de casos de hanseníase, ficando atrás apenas da Índia.

A SES-DF segue executando o Plano de Enfrentamento da Hanseníase 2023–2030, que orienta as ações de vigilância, diagnóstico e tratamento com o objetivo de eliminar a transmissão da doença no território distrital. De acordo com a referência técnica distrital em dermatologia da secretaria, Ana Carolina Igreja, a identificação tardia da enfermidade ainda representa um desafio importante.

Segundo a especialista, os sintomas iniciais costumam ser confundidos com outras doenças ou ignorados. Entre os sinais mais frequentes estão manchas na pele com alteração de sensibilidade, além de nódulos avermelhados, redução do suor em determinadas áreas e perda de pelos.

Embora a hanseníase tenha cura e o tratamento seja oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a adesão completa à medicação é essencial. Em 2022, a taxa de abandono do tratamento no DF chegou a 22%, o que compromete a recuperação dos pacientes, favorece a resistência bacteriana e mantém a transmissão ativa na comunidade.

O diagnóstico tardio também impacta diretamente a qualidade de vida. Em 2020, foram registrados no DF diversos casos com grau 2 de incapacidade física, indicando que muitos pacientes chegaram aos serviços de saúde já com sequelas físicas ou danos neurológicos aparentes.

Para reduzir esses índices, a Gerência de Vigilância das Doenças Transmissíveis tem intensificado a busca ativa por meio dos agentes comunitários de saúde, além de ampliar a testagem de pessoas que convivem com pacientes diagnosticados. As unidades básicas de saúde são a principal porta de entrada para o atendimento, com encaminhamento aos centros de referência quando necessário.

Casos que demandam acompanhamento especializado são atendidos no Centro Especializado de Doenças Infecciosas (Cedin), no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e no Hospital Universitário de Brasília (HUB). Na Região de Saúde Norte, a unidade de infectologia de Planaltina atua como referência para doenças infectocontagiosas, incluindo hanseníase, realizando cerca de 500 atendimentos mensais.

A hanseníase é transmitida principalmente pelo contato prolongado com pessoas não tratadas. O tratamento segue o protocolo do Ministério da Saúde, com a poliquimioterapia única, que combina três antimicrobianos por um período de seis a 12 meses, conforme a forma clínica da doença. A SES-DF orienta que, ao identificar manchas suspeitas, a população procure a unidade básica de saúde mais próxima.

COMPARTILHAR

Leia tambem:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *