Ex-governador recebeu propostas para Segurança Pública e Agricultura, segundo apuração jornalística; não há confirmação de acordo para integrar eventual governo
Por Ricardo Callado
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) entrou nas discussões sobre a composição de um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) e é citado para comandar os ministérios da Segurança Pública ou da Agricultura, caso o candidato do PL vença o segundo turno da eleição presidencial.
Segundo apuração do Metrópoles, Caiado recebeu propostas relacionadas às duas pastas. Empresários ouvidos pelo veículo também avaliam que a Agricultura seria uma possibilidade para o ex-governador, que mantém uma relação histórica com o agronegócio.
Até o momento, porém, não há anúncio de Flávio, de Caiado ou das respectivas campanhas confirmando acordo para uma nomeação. Qualquer indicação dependeria do resultado da eleição de 25 de outubro e da posterior definição da equipe ministerial.
Segurança Pública e Agricultura
A Segurança Pública aparece como possibilidade em razão da prioridade dada por Caiado ao tema durante sua passagem pelo Governo de Goiás e em sua campanha à Presidência.
Antes mesmo do primeiro turno, integrantes da campanha de Flávio já discutiam uma eventual participação de Caiado nessa área. Em 1º de outubro, a CNN Brasil informou que interlocutores próximos à campanha falavam na possibilidade de entregar ao então adversário o Ministério da Segurança Pública em uma eventual gestão.
Depois do primeiro turno, a Agricultura também passou a ser mencionada.
Empresários ouvidos pelo Metrópoles avaliam que Caiado reúne experiência e proximidade com o setor agropecuário para assumir a pasta. O ex-governador também mantém relação política com integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Aliados de Flávio ouvidos pelo SBT News também passaram a citar Caiado como possível nome para o Ministério da Agricultura.
Caiado foi aconselhado a não responder agora
De acordo com a apuração do Metrópoles, Caiado teria sido aconselhado a não dar uma resposta sobre eventual participação no governo neste momento.
A orientação busca evitar que o apoio anunciado no segundo turno seja interpretado como condicionado à obtenção de um cargo em uma eventual administração de Flávio.
A posição pública do grupo de Caiado também procura separar as duas discussões.
Adriano da Rocha Lima, ex-secretário-geral do Governo de Goiás e integrante da coordenação política do grupo, afirmou que não vê Caiado como alguém que esteja buscando um ministério.
“Eu não vejo o Ronaldo Caiado como uma pessoa que almeje ser ministro”, declarou. Adriano ressaltou que se trata de uma avaliação pessoal e que qualquer decisão sobre o futuro político caberia ao próprio ex-governador.
Flávio aceita seis pontos do programa de Caiado
O que está confirmado até agora é um acordo programático entre os dois grupos.
Antes do anúncio oficial do apoio, representantes de Caiado entregaram a Flávio um documento contendo seis pontos do programa apresentado pelo ex-governador durante o primeiro turno.
Segundo Adriano da Rocha Lima, Flávio concordou em incorporar os itens aos compromissos de sua candidatura.
“Hoje pela manhã foi apresentado um documento com seis itens ao Flávio Bolsonaro, que concordou com os itens, onde ele passa a assumir parte daquilo que era o programa de Ronaldo Caiado como parte do seu compromisso, caso seja eleito presidente da República”, afirmou Adriano.
Entre os pontos confirmados está a segurança pública e o combate à corrupção. O grupo de Caiado também trabalhou durante a campanha com propostas relacionadas a políticas sociais, tecnologia, inteligência artificial, minerais críticos, educação e saúde, embora os seis itens do documento não tenham sido divulgados integralmente.
Apoio foi anunciado em Goiânia
Caiado formalizou o apoio a Flávio na terça-feira (6), durante evento realizado em Goiânia.
O ato contou com a presença do governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), e do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Caiado afirmou que participará da campanha e se colocou à disposição para defender a candidatura de Flávio em outras regiões do país.
A aproximação representa uma mudança na relação entre os dois políticos após as divergências registradas durante o primeiro turno, quando Caiado disputou diretamente a Presidência com Flávio.
O ex-governador terminou a eleição em quinto lugar, com 2.605.148 votos, equivalentes a 2,18% dos votos válidos.
Eventual nomeação continua indefinida
Apesar das especulações sobre Agricultura e Segurança Pública, não há definição sobre a participação de Caiado em um eventual governo de Flávio.
As conversas sobre ministérios ocorrem enquanto as campanhas ainda disputam o segundo turno, e a formação de uma eventual equipe dependeria primeiro do resultado das urnas.
Por enquanto, o compromisso formal entre Flávio e o grupo de Caiado está restrito ao apoio político no segundo turno e à incorporação de parte das propostas apresentadas pelo ex-governador durante a campanha presidencial.


