Bombeiros do DF ajudam a salvar vidas com coleta de leite humano

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(Foto: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília)

Ação apoia UTIs neonatais e reforça estoques da rede de saúde

Brasília, 21 de setembro de 2025 – Conhecidos por atuarem no combate a incêndios e em resgates, os militares do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal também desempenham uma missão silenciosa, mas vital: a coleta e o transporte domiciliar de leite humano doado. Atualmente, 23 bombeiros percorrem diversas regiões administrativas para buscar doações diretamente na casa das mães, garantindo alimento essencial para bebês prematuros internados em UTIs neonatais.

Essa atuação tem sido fundamental, já que os estoques dos bancos de leite estão em 86% da meta mensal. Segundo a subtenente Daniela Moura, que atua no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), são realizadas em média 20 visitas por dia. “Esse trabalho também salva vidas. O leite materno é insubstituível e essencial para a recuperação desses bebês tão frágeis”, afirmou.

Importância do leite humano

A chefe do Banco de Leite do HRT, fonoaudióloga Natália Conceição, destacou que o alimento é considerado “padrão ouro” pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Ele influencia diretamente no desenvolvimento e na recuperação dos recém-nascidos. É transformador ver como esse gesto pode mudar vidas”, ressaltou.

Natália lembra que o período de seca é sempre crítico para os estoques. Em julho, a meta foi atingida com dois mil litros coletados, mas em agosto houve queda para 1.700 litros.

O Distrito Federal possui 14 bancos de leite e sete postos de coleta, atendendo de 150 a 200 bebês por mês. Entre janeiro e agosto deste ano, foram registrados mais de 12 mil litros coletados, superando o volume do mesmo período de 2024, que foi de 11,7 mil litros. Nesse período, 3,6 mil mães doaram leite, beneficiando cerca de 9,4 mil recém-nascidos.

Histórias que transformam vidas

A professora Sofia Mesquita, de 27 anos, mãe da pequena Clara, de 4 meses, descobriu a doação por meio de uma amiga. “Na minha primeira gestação, eu produzia muito leite e jogava fora quase um litro por dia. Quando descobri que podia doar, tudo mudou. No meu primeiro filho, doei mais de 38 litros só para o HRT. Dá trabalho, mas saber que posso salvar vidas torna tudo recompensador”, contou emocionada.

Como doar

Para ser doadora, a mãe precisa estar saudável e produzir mais leite do que o bebê consome. O cadastro pode ser feito pelo Disque Saúde 160 (opção 4), pelo site Amamenta Brasília ou pelo Portal Cidadão do DF.

O Corpo de Bombeiros realiza a coleta na residência, transportando o leite até os bancos de forma segura. Assim que chega à unidade, o alimento passa por rigorosos testes físico-químicos e microbiológicos antes de ser distribuído. Após aprovado, pode ser armazenado por até seis meses sob refrigeração.

“Cada frasco doado representa uma vida. É uma missão que exige cuidado e dedicação”, destacou a subtenente Daniela.

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