Ex-governador do DF tenta participar de evento fechado da Adeb, é barrado e gera repúdio entre líderes evangélicos, que prometem retaliação política em 2026
Da Redação
O ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, foi impedido de entrar na Convenção Geral da Assembleia de Deus de Brasília (Adeb), realizada no sábado (25) em Taguatinga, na capital federal. O evento, exclusivo para líderes religiosos da congregação, reuniu pastores e dirigentes no templo da Adeb, no Setor D Sul, e contou com a presença de figuras como o pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da CGADB. Arruda, que não tem histórico evangélico e é pré-candidato ao governo do DF em 2026, chegou ao local sem convite prévio, alegando ter sido convidado, mas foi barrado pela organização.
Segundo relatos de participantes e imagens divulgadas nas redes sociais, Arruda insistiu para acessar o recinto, o que gerou tensão. Ele foi “convidado a se retirar” por seguranças e pastores, que reforçaram o caráter fechado da assembleia. A Adeb, fundada em 1959 e uma das maiores denominações evangélicas do DF, com templos em várias regiões administrativas, prioriza eventos internos para discussões administrativas e espirituais, sem abertura para políticos externos sem autorização.
O episódio, filmado e viralizado, mostra Arruda discutindo com organizadores, o que levou a acusações de ameaças à igreja. Fontes ligadas à congregação afirmam que o ex-governador teria dito que, se eleito, “daria o troco” à denominação, interpretado como retaliação política por meio de restrições a eventos ou financiamentos públicos. A Adeb, que representa milhares de fiéis no DF e Entorno, repudiou a conduta em nota interna, classificando-a como “descontrole e desrespeito ao sagrado”.
Líderes evangélicos, como o pastor Paulo Romeiro, coordenador da convenção, declararam que a comunidade “não tolera invasões políticas em espaços de fé” e que o apoio a Arruda em 2026 será “prejudicado”, com tendência a migrar para candidaturas como a de Celina Leão (PP), que lidera pesquisas com até 34,7% das intenções de voto segundo Real Time Big Data de setembro.
Arruda, cassado em 2010 pela Operação Caixa de Pandora e inelegível, negou ameaças em nota à imprensa, afirmando que “só buscava dialogar com líderes comunitários” e que o vídeo foi editado para distorcer o contexto. Ele alegou ter sido “chamado para participar”, mas a organização da Adeb desmentiu, reforçando que o convite foi para outro político. O caso expõe a estratégia de Arruda para cortejar o eleitorado evangélico, que representa 25% da população do DF segundo o IBGE de 2022, mas gerou repúdio geral no meio religioso, com pastores criticando o “oportunismo descarado”.





